devaneios repletos de referências e inúmeras playlists, porque a graça da vida é essa

eternamente grávida de ideias

Helen: eu gosto de escrever. Mas acho brega perfil em 3ª pessoa. Porque eu sou eu. Tenho quase 27, me divido entre São Paulo e Paraíba, presente e passado. Gosto de ler, ouvir, assistir. E cito tudo o que conheci em conversas e apresentações, mesmo que aparentemente não faça sentido.
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30 de set de 2018

De volta à História

Taxi driver, 1976
Esse ano passei por tantos altos e baixos (e baixíssimos), que não sei definir direito as coisas que aconteceram. De coração, eu diria que foi o pior ano da minha vida. Mas meu cérebro me faz rememorar coisas incríveis e necessárias que aconteceram comigo em 2018.

Toda vez que eu sentia que ia cair, ou que já havia caído, buscava algo novo para fazer e me desafiar, para pelo menos tirar o foco da dor e da falta de ar que a ansiedade proporciona. Busquei ajuda psicológica, me acostumei a me dar cafés e chás gostosos depois do expediente, comecei a sentir fortes dores nas costas e nas pernas, e decidi ser fitness pero no mucho, porque detesto atividade física: procurei a natação, que era um grande medo e um desejo. Conheci e abracei o Tom Zé naquela que foi a pior crise de ansiedade que já tive, depois de quatro anos disse que estava apaixonada, pedi para estar cada dia mais longe do setor educativo que eu tanto detesto (infelizmente essa parte não se concretizou ainda, mas one way or another não haverá mais disso em minha vida em breve), estou buscando mais sobre hinduísmo, aprendendo francês nos caminhos da vida... Até tenho me divertido em embates políticos que não dão em nada.
May 10th. [...] Days go on and on. It don't end. [...]
June 8th. [...] The days move on with regularity, over and over. Then suddenly, there is change. [...]
Taxi driver
Mas todo domingo é a mesma sensação de derrota. Uma encruzilhada, um groundhog day. E todas as vezes que eu demoro mais de três horas para chegar no serviço - normalmente são duas horas -, eu me pergunto o quanto isso me faz bem, o quanto vale a pena. Eu sei que não vale, quando reflito sobre tudo isso é somente para arranjar desculpas e continuar. Num desses dias de grande estresse e indecisão, eu perguntei se eu não fosse da área de museus, você me veria fazendo o quê? E a resposta que obtive foi você ficaria boa na área de pesquisa acadêmica.
Now I see it clearly. My whole life has pointed in one direction. I see that now. 
Taxi driver
Elementar, minhas caras e meus caros. É isto o que eu sempre quis, e nada mais. Tudo o que me tornei era para eu ter condições de ser o que sempre quis: uma pesquisadora que lê e escreve todos os dias. Então pesquisei algumas coisas no mês de agosto, sem muito compromisso com decisões a serem tomadas. Mas aí um dia, às dez da manhã, eu estava muito cansada da minha vida e perguntei se eu poderia me ausentar do serviço em dias x para me matricular em um curso de pós graduação, ou se seria mais prudente esperar para o semestre seguinte, que não tem compromisso nenhum na agenda. A resposta foi positiva para o início ser ainda em 2018.

Quinze minutos depois e eu estava inscrita no lato-sensu da PUC-SP. Até o fim do mês, matriculada. Setembro começou com aulas, que têm sido excelentes. Estou tão feliz que tenho aguentado eleitores do Bolsonaro e até dei uma discutida toda torta ontem, porque eu não sou boa em oratória. Mas foi bem divertido e eu percebi que a graça da minha vida é apenas essa. É tentar decifrar palavras difíceis e ler a sociedade através de metáforas, sons, gestos, entrelinhas.

Museus e bibliotecas são locais maravilhosos para propagar conhecimento. Não à toa o Museion de Alexandria durou 600 anos. Adoro tudo o que aprendi e o que pratico todos os dias. Mas essas duas profissões carimbam um sorriso no meu rosto que não é meu. A alegria que demonstro não é de mim, mas é por ver alguém satisfeito com o que fazemos, pelo serviço que prestamos. É um alívio por não ter dado nada errado, ou por não ter dado tão errado assim. Mas não é genuíno de mim mesma. A única área em que eu me sinto como um balão recebendo ar quente e flutuando pelos céus é a História. E eu me esqueci dela, mesmo utilizando-a todos os dias dentro da museologia e da biblioteconomia.

The Three Muses statue at the National Drama Theatre in Vilnius, Lithuania.
Quando me sentei naquela cadeira verde e dura da sala de aula voltei sete anos no tempo. Eu era a Helen de 2011, ingressando no ensino superior e sonhando com capas de livros contendo meu nome. Deixei, por muitos anos, o que deveria protagonizar figurando, e o que deveria figurar, protagonizando meus dias.

Participei de um evento esse ano que me fez ter um insight: na minha cabeça veio a cena de um homem sentado no topo de uma montanha observando o horizonte, e essa cena era a representação visual da minha verdadeira profissão.

Casper David Friedrich - Wanderer above the Sea of Fog, ca. 1818
A história é o estudo da ação humana no tempo e no espaço. Faço parte desse processo, e quero participar tanto como estudante, quanto como estudada. Eu quero ser lida, quero pôr em exposição a paisagem vista e vivida através de minha perspectiva. Quero deixar algo de mim circulando pelo mundo quando eu já não mais morar nele. E que esse algo seja útil, fundamentado, transformador, meio para outras transformações.

Acredito que duas grandes lições aprendi de janeiro até aqui:

1. Não posso omitir o que eu sinto por conveniência alheia, vergonha ou medo;
2. Não posso viver de desculpas para não ser aquilo que eu sou. Pensar no outro é lindo, mas se anular por isso é a morte.

Infelizmente continuo achando que estou morrendo todos os dias. Parece que o corpo vicia na negatividade espalhada pela ansiedade. Mas ao mesmo tempo as coisas estão mudando e se concretizando. Dizem os astros (para quem acredita) que este é o início da temporada de colher o que se plantou. Estou colhendo frutos amargos, cansada sob o sol que arde minha plantação. Mas em algum momento vou chegar na sombra para separar o joio do trigo e aproveitar o fruto do meu trabalho. Enquanto isso, ora et labora.


9 de set de 2018

Sunshine blogger award pt. 1

Por mim mesma, mas fiquei com preguiça de tanta flor. Não sou o Van Gogh né "mores"
Como fui indicada em dois blogs, vou fazer dois posts com a mesma tag! A primeira indicação foi feita pela Ana, e vou responder suas 11 perguntas. Muito obrigada e desculpe a demora, Ana!

Regras

* Não pode dançar agarrado, mas se quiser pode

1. Agradecer à blogger que nomeou ✔
2. Responder às 11 questões feitas ✔
3. Nomear 11 bloggers ✖ e fazer 11 perguntas ✔
4. Colocar as regras e o logótipo no post (a imagem original é esta do link, mas preferi desenhar) ✔

1. O que você sempre quis ser quando crescer?
Pesquisadora.

2. Qual o seu maior sonho atualmente?
Morar no nordeste, seguir estudos acadêmicos.

3. Indique 3 filmes para quem está lendo esse post.
Dessa vez vou indicar diferente, só filmes leves para a gente fingir que a vida presta:
1. Para todos os garotos que já amei
2. Só você
3. Muito bem acompanhada

4. O que você mais ama na internet?
A facilidade de encontrar bons conteúdos para estudos - como o marxists.org, neruda.uchile.cl, unesp aberta etc., assim como pessoas legais e criativas de todos os lugares.

5. E o que mais odeia (na internet)?
Pessoas que acreditam ser donas da razão (nem sempre se pode ser Lenin) por terem lido conversas em páginas do facebook, ou terem assistido ted talks e lido jornais independentes. Isso vale para o esquerdismo, a doença infantil do comunismo, e todos os partidários de qualquer ideologia de direita, conservadora, preconceituosa, que aparentemente não estudam seriamente offline. Odeio também não só redes sociais, como também redes sociais de empresas, que estão se apropriando de discursos para enganar trouxas, lucrando mais por conquistar e seduzir públicos que antes eram seus potenciais rivais.

6. Por que você bloga?
Porque sempre amei ler e escrever, porque não consigo escrever em diários, se nem eu mesma releio o que escrevo. Escrever em blog me aproxima dos outros, mesmo eu não sendo pop. E escrever num espaço personalizado, só meu, é gostoso.

7. Qual post mais gostou de escrever até hoje?
O que me lembra de um dos melhores e piores dias da minha vida. O dia em que eu encontrei a consolação.

8. Qual série está acompanhando?
Monty Python flying circus, Bojack Horseman, Brooklin 99.

9. Netflix ou cinema?
Cinema.

10. Sorvete ou chocolate?
Sorvete no calor, chocolate no frio. Nenhum dos dois com dor de dente.

11. Filme ou livro?
Livro.

Minhas 11 perguntas

1. Como você lida com situações de ansiedade, caso tenha? O que te acalma?

2. Como organiza seus estudos? Utiliza apps, programas, ou é tudo manual?

3. Que atividade você faz para se desligar do mundo?

4. Qual seu sabor de chá favorito?

5. Prefere filmes únicos ou trilogias?

6. Há algum livro clássico que te cativou? Diga qual.

7. Sente saudade de algo do tempo da escola? O quê?

8. Aprecia momentos de solitude?

9. O que é se apaixonar, na sua concepção?

10. Você acredita que a humanidade vá evoluir para algo melhor?

11. Se você fosse outro ser vivo na face da terra, qual ser vivo seria? (Não precisa ser apenas do reino animal)

Pessoas que indico

1. Kennedy
2. Gabriela
3. Mary
4. Ana

4 de set de 2018

Pferdesegen (contra uermes)

Resultado de imagem para ougenweide liederbuch chart

Gang uz, nesso, mit niun nessinchilinon
Uz fonna demo marge in deo adra
Uonna den adrun in daz fleisk
Fonna demu fleiske in daz fel
Fonna demo uelle in diz tulli
Fonna demu fleiske in daz fel
Fonna demo uelle in diz tulli

Gang ut, nesso, mid nigun nessiklinon
Ut fana themo marge an that ben
Ut fan themo bene an that flesg
Ut fan themo flesgke an thia hud
Ut fan thera hud an thesa strala
Ut fan themo flesgke an thia hud
Ut fan thera hud an thesa strala