19 de out de 2018

Sei lá eu

Eu fiz um post meses atrás em lista que deu muito certo. Na mesma linha, recebi o conselho de anotar, diariamente, coisas boas que me aconteceram, ou tarefas que concluí, para me sentir útil no final do dia, sem a falsa sensação de dia perdido.

Não sei se é o que vou fazer aqui, talvez não. A semana tem sido absolutamente estranha, cansativa e libertadora, ao mesmo tempo. Não faz sentido, eu acho.

Bom, todos sabemos a merda em que estamos. E que ficaremos, já que a Justiça não só é cega em suas representações imagéticas, como se faz cega porque infelizmente ela não é uma Deusa Olimpiana imparcial e fora da esfera humana. A justiça fazemos nós, conforme nossos interesses, ou intere$$es (ai, que trocadilho mais senhor de 60 anos).

Eu estava pensando hoje, existem dois - na verdade muitos - tipos de pessoas. Os que pensam coletivamente, e os que pensam individualmente, mesmo estando em grupo. Fiquei sabendo, por acaso, que haverá uma manifestação denominada PT NÃO, no próximo dia 21. E eu parei para pensar, bem informalmente mesmo, na lógica das pessoas que vão em eventos assim, e o que elas buscam. E me veio algo singelo em mente. São grupos formados por pessoas que não pensam no outro, mas em si próprios. São vários uns. Seu pensamento sobre a economia, diz respeito a suas vidas pessoais e seus empreendimentos; e é um pensamento econômico possivelmente ruim até para eles mesmos, em longo prazo. Não sou boa em economia, mas boto fé que até o que eles querem tão convictos é prejudicial.

Posto isso, há a questão ética. Essa guerra contra a Corrupção, um fantasma, uma coisa, um troço que não possui corpo, forma, especificidade. Não tem nada a ver com as filas dos hospitais, com a educação ruim, com o transporte horroroso (nem vou tocar no assunto transporte hoje). Está mais para uma vaidade de colocar-se como incorruptível, do que acreditar de fato em instituições funcionando. Até porque as instituições não funcionam, e eles acreditam que muitos juízes por aí estão fazendo um belo trabalho (!) hahaha. Fora as corrupções diárias, que tem gente que ri quando a gente comenta, mas é aquela coisa né, quem nos representa no Estado reflete como nós somos. Se a preocupação fosse genuína com essas questões básicas do povo brasileiro, eles apoiariam manifestações de professores, acs, melhoria no transporte coletivo e inserção das bicicletas nas pistas.

A ética, até onde compreendo e ouvi por aí, tem a ver com o que praticamos de mais correto e inofensivo possível para nós e para o outro. Então, como é possível, nessa altura do campeonato, criar um evento contra o lado mais democrático da luta pela faixa presidencial? Aliás, o único lado democrático? Lutar contra um sistema corrupto aos domingos na frente do pato - agora sapo - da Fiesp não é nada factível, não traz resultados, nem faz sentido diante do caos que se instala do outro lado, que tem exponenciado nossa violência cotidiana para um patamar absurdo. Então, para mim, essa ética é uma ética de si mesmo. E ética de si mesmo, não existe. A menos que a sociedade seja você com você mesmo. Mas temos o que? Exagerados 7 bilhões.

Saia daqui com sua crítica a esse homem 👉👧👈lálálá 
Por outro lado, há aqueles que se manifestam não necessariamente aos domingos. Os que param o trânsito. De modo geral, o que eu vejo, sinto, percebo, e concordo - talvez seja por me inserir nesse grupo, então podem considerar que estou puxando sardinha para o meu lado à vontade - é que estes são de fato um grupo. Não são vários uns, mas sim um diverso. Não sei se é assim com os outros, mas eu defendo pautas que são importantes não apenas para minha vida pessoal, mas a vida do próximo. Não consigo de modo algum ser egoísta a ponto de pensar em economia como algo mais relevante que integridade física de pessoas negras, mulheres, LGBTQ+, pobres, nordestinos, imigrantes, enfim. Concordo que o maior e pior problema desse país seja desigualdade econômica e social, mas nem por isso vou fechar meus olhos para assassínios diários.

Minhas questões mais programáticas são outras. Nem vou comentar aqui porque não estou mais com saco para discutir isso, juro por Deus. Tenho vivido os textos sobre a situação atual. Em casa, no caminho do serviço, no serviço. Até minhas aulas da pós viraram um panorama sobre o que caralhos aconteceu no Brasil desde o Mensalão, e metade da turma é fascista. Então imaginem 4 horas por sábado de um embate caloroso entre contexto histórico versus fake news. Ou, como bem comentaram em uma das dezenas de textos que li: as pessoas nem coragem têm mais de dizer mentira, no lugar de fake news.

Meu grande medo, falando como pessoa física, é, além de todas as questões de violência possíveis que nos bombardeiam hora a hora, a possível impossibilidade (que?) de eu não poder falar sobre aquilo que eu falo. Não acredito numa segunda ditadura naqueles moldes do século XX. Agora eu sinto medo de até ser pior. De ser como em 1984, onde os vizinhos te vigiam e denunciam por crime de pensamento. Porque a violência, antes atribuída ao Estado, transbordou para fora dessa esfera, e está no meu vizinho, no meu colega de classe, no meu tio, nos nossos patrões. Porque, ao contrário do que alguns colunistas tentaram emplacar por aí, é sim uma sociedade fascista. Inclusive a minha tia (que hoje comprovei ser racista das piores), também. Então não poder pensar, falar, escrever e estudar sobre as minhas convicções, convicções essas que moldam a minha vida e me entrelaçam ou me desamarram de laços afetivos e profissionais, é desesperador. Minha grande pergunta existencial é: se eu não puder ter isso, qual é o sentido de minha vida? Porque não ter isso é não ter eu. Eu sou integralmente política, e os últimos posts demonstraram que quando a política e as questões abordadas pelo marxismo estão adormecidas em mim, é a mesma coisa de eu ser um pedaço de carne miserável se condoendo por não saber conviver com outros seres humanos. Porque o que me liga a eles é minha paixão pela mudança e pela justiça social. É o meu verdadeiro tesão da vida. E o que é a vida? O que é a vida sem o livre pensamento (fake news não pode)?

Eu já não sei mais. Sei mesmo não.
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