18 de jan de 2018

Chove chuva, na terra da garoa

Texto escrito em 27 set. 2014 - quase quatro anos (!) nos rascunhos. Achei que era a caminho do curso Técnico em Museologia, mas era um sábado, portanto passeio.*


Depois de não sei quanto tempo está chovendo em São Paulo. Quem diria que a cidade conhecida como terra da garoa um dia viveria escassez. E viveria num momento conturbado: eleições. E que provavelmente reelegerá o principal culpado pela seca na Cantareira - dica: não é São Pedro.
 
Pelas gotas e vapor que embaçam a janela do ônibus (sim, estou em um) vejo luzes de carros, postes e estabelecimentos que, desse ângulo e a essa hora do anoitecer me remetem tempos que não vivi. Tempo em que de fato garoava (16'40") e que, por causa das diversas homenagens videográficas espalhadas pelo Brasil, eu imagino sempre com um Adoniran Barbosa cantando ao fundo.

 
Uma são Paulo que, ainda que conservadora, dói menos de imaginar, dá até pra perdoar, porque era jovem. Mas o tempo passa e o conservadorismo só piora¹ e fica gagá com suas teorias da conspiração que são mais fáceis de acreditar do que a realidade. Ou outra realidade que não essa. 

Uma São Paulo Antiga, com tantos mistérios e acontecimentos cotidianos anônimos, boas notícias escondidas dos grandes jornais e expostas nas páginas mais corajosas.

Eu gosto de ver as padarias de esquina, o pessoal do meu bairro, sejam adolescentes do passinho, senhoras da Igreja, senhores do forró adaptado longe da origem, num barzinho simpático com karaokê. Cães que olham para os lados antes de atravessar, gatos nos muros das casas, galinhas dangola idem, beliscando fios de alta tensão. Aqui tem um mundo e mil histórias - menos água. Espero que chova mais, para clarear as ideias e saciar sedes.

Desenhei um porco na janela. 21 ago. 2017.

* Links e material audiovisual acrescentados em 18 jan. 2018.
¹ Por acaso havia um texto na mesma data do rascunho falando justamente do paulistano conservador.