Um velho mundo

2 de jun de 2018

13. Aqualung

Warning: este é um daqueles posts feitos no calor do momento enquanto balanço ao som de uma música, então sai algo completamente doido e extenso, porque são apenas feelings, no melhor modo Helen de ser.
Do you still remember december's foggy freeze?
Existiu um tempo perturbadoramente delicioso e solitário neste blog, entre dez e sete anos atrás, onde meu eu adolescente escrevia coisas que eu completamente não entendo hoje em dia, mas que fazem mais sentido que a vida adulta (se ninguém contou a vocês ainda, ela é uma merda).
Leg hurting bad as he bends to pick a dog-end
O Ian sou eu mesma quando de folga
Sou fã doente de John Frusciante, Vincent Gallo e Jethro Tull. É possível que haja ligação histórica entre esses artistas, fato que ignorarei - como sempre - nesse post. Ele é resultado de um dia relembrando meus eus passados, com uma nostalgia que só não dói mais que meu corpo, porque meu corpo está doendo muito, depois de um dia de banho em cachorras, troca de vasos de plantas e rinite atacada.
Feeling like a dead duck spitting out pieces of his broken luck
Lembrar de meus eus passados é importante, já que faltam 34 dias para meus 26 anos (façam as contas), e no último ano não fui de modo algum eu mesma, ou, se fui, fui uma eu completamente oposta aos meus eus passados. Novos sentimentos, novas (muitas) dores, novas insistências, submissões (ai, que ódio disso), desesperos, necessidades, descontroles, crises de choro e de ansiedade, enfim. Não tenho sido quem eu costumava ser.
Yesterday's dreams
Para vocês terem uma ideia, em pelo menos dois aniversários meus, estava sentada aqui escrevendo textos intitulados too old to rock and roll, too young to die. Isso quando eu tinha quase 200 postagens de menina, xingando Deus e o Diabo na terra do sol. Vou fazer um post com esse título esse ano? Muito provavelmente. Ou não. A música fala basicamente, mas não só, de roqueiros que não abandonam seu posto jamais, enquanto os amigos "cresceram", casando-se, tendo filhos, comprando e trocando carros conforme a moda, participando de eventos irritantes da sociedade, enfim, moldados por ela. O que um rockstar raiz tem absoluto horror. Antes e depois de conviver com pessoas que se tornaram absolutamente conservadoras, eu tinha horror a isso. Ainda tenho, mas foda-se. Aprendi o foda-se que tanta gente me aconselhou (o conselho "basta tacar o foda-se" ainda é uma merda, não ouçam nem digam - nem leiam, argh). Então foda-se a vida de merda que as pessoas levam, porque a minha vida mesmo está desestabilizada e eu sou prioridade para mim mesma.

Mudo de assunto, gosto de azul: não era para lamúrias que vim aqui. Era para comentar do Jethro Tull, que é uma banda que aprendi a gostar ouvindo uma vinheta da kiss.fm, e os programas apresentados pelo Rodrigo Branco quando ele era um cara legal e não um cara esquisitamente nórdico nas redes sociais.

Então estava lá, aquela música com um quê de medieval setentista, satírica, desesperada, exposta, gritando para mim, totalmente a minha cara. Porque eu sou absolutamente introvertida, só que não, na verdade eu sou o Ian Anderson mulher, sem aquela barba maravilhosa, porém com os mesmos olhos infinitos, querendo dizer, juntamente com o corpo, o que a voz que sai do profundo da garganta não dá conta de dizer. Quem me conhece e não imagina, me dê algo para beber e toque uma playlist com aqualung e war pigs, para ver se eu não fico doida.
When the ice that clings on to your beard was screaming agony 

O rock  progressivo e a década de 1970 são duas das 3,1415... coisas que me resumem, então quando tento falar sobre, é rasgando meu peito, é querendo parar o mundo e obrigá-lo a sentir todas as infinitas e profundas sensações que eu mesma sinto em cada milésimo de segundo de minha vida, inclusive dormindo. Temos o costume de dizer que "isso é coisa de jovem, é da natureza do adolescente essa confusão de sentimentos", porém tenho quase vinte e seis e ainda sou um completo grito dentro de mim, abafado, contínuo, contido, para satisfazer as mais diferentes pessoas e se adequar a qualquer situação, porque infelizmente nasci versátil (o que facilmente pode se confundir com covarde).
You poor old sod, you see, it's only me
Sempre apontei o dedo para quem não era corajoso demais, ou para quem tinha personalidade de menos, ditando o que deveriam fazer. Sou autoritária que nem o cão. Mas teve uma professora que uma vez ensinou aquele ditado que pode ser exemplificado com as mãos: enquanto aponto um dedo para alguém, há três apontando para mim. Então eu reclamo daqueles de pouca personalidade e muita covardia, sendo eu mesma uma deles. Como diria Raul "eu que me achava diamante nas mãos de mendigos, pelo medo de não sê-lo" - reflitam.
Ian Scott Anderson
Eu poderia simplesmente ter resumido esse post em: pelo amor de deus ouçam essa música na versão de estúdio de 19 de março de 1971 (dia de São José!), e assistam na melhor versão ao vivo de 1977, porque Ian Anderson é minha persona ébria, medieval, fisicamente deliciosa (eterno crush), desesperada, apaixonada, lírica, trovadora, ruiva, barbuda, flautista. Também poderia resumir em: leiam Dostoiévski e Graciliano Ramos. Ou ainda: não percam a essência, revisitem-na. É o único modo de ser muito velha para o rock and roll, e muito nova para morrer. Não nos entreguemos por completo à ordem, que a desordem prevaleça: seja nos desesperos da literatura russa, ou nos gritos, nos graves e nos agudos do rock progressivo.

13. one of your favorite 70's songs (uma de suas músicas favoritas da década de 1970)


Mais posts como esse no desafio 30 day music challenge!

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