devaneios repletos de referências e inúmeras playlists, porque a graça da vida é essa

eternamente grávida de ideias

Helen: eu gosto de escrever. Mas acho brega perfil em 3ª pessoa. Porque eu sou eu. Tenho quase 27, me divido entre São Paulo e Paraíba, presente e passado. Gosto de ler, ouvir, assistir. E cito tudo o que conheci em conversas e apresentações, mesmo que aparentemente não faça sentido.
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18 de fev de 2019

Crenças que eu tinha e a humanidade me decepcionou

Vi o story de uma amiga com uma Brahma na mão e a legenda "Faculdade me corrompendo". Então comentei algo que fez graça nesses dias difíceis, e quero compartilhar certas graças e desgraças com vocês aqui, denunciando algumas ilusões que me alimentaram os adultos e a cultura pop:


Tinha para mim que faculdade era sinônimo de American Pie, e infelizmente parece que é apenas um lugar com xerox, provas, e alunos chatos com mais de 20 anos querendo saber que nota tiraram.

Eu não estou nem aí para críticas, amo besteiróis, sou muito personagem de um

Eu achava que adultos eram responsáveis, ou que não faziam coisas erradas. hahahahhahaha

Vocês não têm ideia do quanto eu amo o Michael Palin
Também achava que os adultos sabiam o que estavam fazendo, mas parece que crianças são mais competentes nesse aspecto.


Eu não confiava no poder de descaralhamento de uma mente com problemas de ansiedade ou depressão. Essa coisa é potente, busquem ajuda, não desistam, e usem esse gif para respirar quando preciso.

Nunca assisti a Parks and recreation, então dedico esses gifs à Manie, que me causou interesse nesse fofo aí
Acreditava que trabalhar com o que gostamos nos tornaria minimamente completos e satisfeitos.

Você trabalhando com aquilo que gosta
Um cliché, talvez milenar: talvez por conta do machismo, ou qualquer outra coisa, tinha para mim que homens eram fortes, decididos, desejosos e coisas do gênero. Mas dia após dia, tenho mais certeza de que as mulheres são as únicas trabalhadoras e pensadoras do mundo, que têm que ainda dar uns empurrões para ver se essas pragas se colocam em movimento, porque é tudo bebê com testosterona (que não serve para nada, aparentemente, 0% de fogos no rabo, muita lenga lenga e neca de pitibiriba de atitude), achando que estão fazendo tudo certo, mas não percebem nada e são mais inertes que uma montanha. [É claro que isto não é uma constante, né gente, só tô pistola]

Os batutinhas traduzem as relações humanas
É isto. Vai aqui minha denúncia.

Único homem possível

17 de fev de 2019

A suave pantera

[...] *

A fome de um bicho
– e mais se é pantera,
não tem o limite
que em gente tivera.

Não é como a fome
violenta, direta,
subjetiva, do homem,
a fome da fera.
A fome de um bicho
é cruel e eterna,

e toda inconsciente,
com uma força interna.
É fome indistinta
espalhada nela,
com íntima fúria
que ela não governa.

A liberdade da pantera
está justamente nisto:
que nem ela se governa,

e o que sucede é imprevisto.
Essa a vantagem da fera:
uma força que ela abriga,
inconsciente, dentro dela
– sob a aparência tranqüila –
e de repente se revela,

mas uma espécie de fúria,
que atinge inclusive a ela,
mas numa espécie de luta,
que é o modo que tem a cólera
de mostrar-se numa fera,
e que é a sua única forma
de ser pura, além de bela.


Além de precisa é ubíqua,
outra vantagem mais forte.
Por toda parte é sensível
sua graça, como um broche,
ou como coisa pousada
e em si mesma repentina:
os olhos onde violetas
cobram cores agressivas,
a cauda suspensa e lisa
como nuvem sossegada,
não solta, não qualquer nuvem,
nuvem presa como uma asa,
o corpo todo concreto,
todo animal, perecível,
e mais uma ânsia por dentro,
de ser livre, livre, livre.


Marly de Oliveira, 1960 [1]


* Leia completo: A suave pantera
1. Marly de Oliveira (1935-2007), poetisa de Cachoeiro de Itapemirim - ES. Professora de língua e literatura italiana, e literatura hispano-americana. Vencedora do Prêmio Jabuti de 1998. E ex-mulher de João Cabral de Melo Neto.

11 de fev de 2019

Vaza, fia!

Acabo de constatar por A+B o que engatilha minha ansiedade. É aquilo que alguns dizem que torna o homem digno e nobre.

Mas estou num momento de profundo desapego e luta pelo poder pessoal, de reconciliação com minha mulher selvagem, em lembrar que na vida tudo que é vivo, morre e também é nela que para tudo dá-se um jeito, menos para a morte.

Às vezes eu quero gritar e arrancar meus olhos úmidos das órbitas, às vezes eu quero amaldiçoar as pessoas e todas suas gerações anteriores e posteriores, às vezes quero sair de casa e nunca mais voltar, chegar em algum lugar com outro nome, completamente desconhecida... Às vezes quero chorar sem motivo, às vezes crio situações na minha cabeça onde tenho que me defender como um bicho ferido, onde culpo o outro por essa ferida, que nem deveria ser uma ferida, apenas um arranhãozinho de nada. Às vezes, tanta coisa.

Mas estou conseguindo dar passos, cambaleantes, mas passos. No meu torto caminho, onde eu digo os sims e os nãos, sem aquela ingenuidade de sempre ajudar, sempre ter tempo, sempre tudo para o outro e nada para mim.

Esse post é um lembrete para mim mesma e um desabafo, para eu, nessas ocasiões de estresse, ir lá na cara da minha ansiedade e dizer: vaza, fia! ha-ha-ha!