devaneios repletos de referências e inúmeras playlists, porque a graça da vida é essa

eternamente grávida de ideias

Helen: eu gosto de escrever. Mas acho brega perfil em 3ª pessoa. Porque eu sou eu. Tenho quase 27, me divido entre São Paulo e Paraíba, presente e passado. Gosto de ler, ouvir, assistir. E cito tudo o que conheci em conversas e apresentações, mesmo que aparentemente não faça sentido.
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22 de jun de 2019

2011

feat. mystic jupiter resources
Apresentação
Death seed, blind man's greed
Poets' starving, children bleed
Nothing he's got he really needs
Twenty first century schizoid man

Há alguns dias estou com vontade de escrever, mas nunca sei o quê. Não basta abrir o editor, ter um tema, ter rascunhos. Por exemplo, estive extremamente inspirada no dia 29 ou 30 de maio, escrevi duas laudas do word no celular no caminho para o trabalho [!] fotografando o caminho inteiro. Um texto super profundo e sensorial. Diz se eu postei aqui? Nem nos rascunhos. Está lá, inacabado. Porque comigo as coisas funcionam na hora, já percebi. Acho mentiroso programar datas para o que estou sentindo hoje. Agora.

Então eu estava hoje (seg, 10 jun.) lendo no twitter as consequências dos textos do The Intercept - que li ontem comendo pipoca, e não foi proposital -, quando fui procurar um fulano pernambucano que foi homofóbico com o Greenwald né. Daí vi que ele escreve para a Revista Continente (que eu adoro, muito bem feita), e fui rever a linha de raciocínio que a revista segue.

De repente, e não mais que de repente: uma notícia de que Ave Sangria havia voltado!

A notícia explica a biografia da banda, que tem uma extensa discografia de 01 (hum) disco só. Por que? Porque saiu em 1974 e a ditadura deu umas barradas, em capa e canções, então esses pernambucanos maravilhosos ficaram mais de 40 anos sem lançar mais nada. Até que, depois de um evento bem sucedido, decidiram voltar. Agora a banda já não é a mesma da década de 1970, pois três de seus integrantes alçaram seu voo de ave para o outro plano. Mas eles tinham um material em fita, que foi pensado, selecionado, e postado. Eu gostei bastante. Não é como o primeiro disco, e nem poderia, já que infelizmente não estamos mais na década de 1970. Mas a essência é a mesma.

Fui compartilhar no twitter, e lembrei que estava conversando esses dias sobre minha saudade do twitter de 2011. Já devo ter comentado esse tipo de nostalgia por aqui, sobre blogs, sobre vida, sobre qualquer coisa. Talvez a maior motivação de todas para eu me tornar historiadora foi ser um ser intrinsecamente nostálgico. É da minha natureza e ponto final. Comentei na rede que 2011, até então, foi o clímax do filme que é minha vida. É aquele sonho que a gente vê nos filmes, a pessoa com a luz da manhã batendo no rosto e as árvores passando rápido pela janela do ônibus.

Prelúdio
I walk a road, horizons change
The tournament's begun
The purple piper plays his tune,
The choir softly sing

Isto é, inclusive, minha maior lembrança desse período. Foi um ano assim: seis meses de tristeza porque "eu, a CDF", não havia entrado direto na universidade. Então, foi um semestre sabático, onde assisti pela primeira vez a história de Ernesto Guevara de la Serna, numa visão brasileira e num corpo mexicano de Gael García Bernal. Assisti, depois ou antes, vários outros filmes de Gael, como Y tu mamá tambien, Amores perros, e o inesquecível La mala educación, que foi minha primeira experiência With a Little Help from My Friends, ao som de Quizás, quizás, quizás. 

Nesse período eu lia muito sobre ufologia, civilizações que não existem mais. E ficava pirada na conspiração, querendo estudar história para escrever tudo diferente. Sobre os astros, as estrelas, os jovens que não se manifestavam mais (bons tempos aqueles em que eu achava que ninguém fazia nada - fazer, fazia, eu que não sabia -, muito antes do maldito 13 de junho de 2013), as bandas e músicos maravilhosos do mundo que ninguém comentava... Eu queria evangelizar¹ toda a humanidade sobre, não o "bom gosto" que eu tinha - por mais que eu ainda fosse bem arrogante -, mas sobre as maravilhas do mundo. Foi a mesma época em que mergulhei na psicodelia floydiana, dos tempos do Barrett ainda. Foi assim que conheci a Jéssica. A Lua (ou Luna, já esqueci), o @cogumeloprofeta que infelizmente sumiu. O Eduardo. O meu primeiro namorado, quando ainda era hippie e não Olavista... E eu me achava o máximo por me encaixar nas músicas de 48 minutos, e entendê-las tão clara e limpidamente como água cristalina.

Até hoje tenho planos não concluídos de "escrever diferente", sobre as "maravilhas do mundo". Que são, de fato, maravilhas do mundo: do meu mundo. Porque uma frase também em voga nos meus textos daquela época, Raulseixista e latinoamericanista que sou, é aquela "cada persona es un mundo", ou "cada um de nós é um universo, Pedro". E de fato é isso mesmo, né? O mundo que enxergamos é tão particular que não pode ser o mundo tal qual ele é, já que ninguém o apreende por completo, senão apenas por uma face do grande prisma interpretativo, coisa que implica justamente em "a história absoluta e verdadeira não existe", apenas fragmentos, vestígios de um passado inacessível em termos práticos. Nossa própria memória, aprendi com a Sandra Colucci, conforme o tempo passa, já é preenchida pela imaginação sobre a lembrança, pois a própria lembrança se esvai e nosso cérebro cria trechos para essas lacunas, e é por isso que tudo no passado é tão nostálgico, bonito, em Super 8: porque é invenção nossa de algo que não volta mais, e essa invenção toda faz esse algo passado mais bonito e mais querido que o presente sofrido e conflituoso.
Infelizmente não encontrei a foto do buraco triangular da porta. Mas viajei no tempo dos arquivos de backup.

Interlúdio
She's a moonchild
Gathering the flowers in a garden
Lovely moonchild
Drifting in the echoes of the hours

Depois dessas ponderações, veio o mais importante daquele ano: os documentos aprovados da bolsa do ProUni e a minha matrícula na finda Universidade Camilo Castelo Branco. Foi, com certeza, o melhor período da minha vida até agora. Tudo tinha cara de 9 horas da manhã: o terminal de ônibus, o café com leite e o pão na chapa do Márcio, a Avenida e o parquinho onde dei meu primeiro beijo de namorada de alguém, as janelas manchadas, as salas com portas brancas que possuíam buracos triangulares e eu brincava que era o prisma do The Dark side of the moon, os corredores iguais a cada andar, e as portas que dividiam universidade e colégio, que davam uma sensação gostosa de labirinto. As salas de aula com carteiras velhas, porém não tão desconfortáveis como as da PUC, a lousa de giz e o palco que cada sala tinha, onde o professor Fernando fazia um barulhão andando daqui para ali falando dos sans-culottes. Até o ódio que eu sentia pelos colegas de classe era algo saudável e natural, passageiro. Tudo ali fazia sentido. Porque era como se eu estivesse numa pintura ou num filme conceitual, onde cada cena e objeto estranho tinham seu papel e seu motivo de estarem ali.
Foi tempo do meu primeiro emprego (e não estágio); meu primeiro choque com a vida adulta, quando percebi que os adultos são tão ou mais incompetentes que os jovens que eles tanto oprimem e reprimem. Tudo corria bem, de alguma forma. Eu comprava livros de filosofia que até hoje não li, tirava xérox dos textos que marquei bastante e não me lembro mais, mas guardo com a desculpa que vou reler um dia.

Pósludio

Knowledges are a deadly friend
If no one sets the rules
The fate of all mankind I see
Is in the hands of fools

Eu tenho uma teoria, e falo isso agora, dia 15, ouvindo In the court of the Crimson King, do King Crimson (finalmente esses putos disponibilizaram o streaming dessa obra de arte): a vida é como um disco de vinil, ou uma fita K7 (qualquer mídia que tenha Lado A e Lado B); a obra começa maravilhosa e promissora, tem seu ápice lá pela quarta ou quinta canção, e depois descamba em melancolia e desespero, até um fim avassalador, tranquilo ou seco. Pelo menos assim costuma ser nos discos conceituais progressivos, favor ouvir The Dark side of the moon, Selling England by the pound, The Wall, Animals... É tudo assim. Vida e morte. Um rompante e uma tristeza. Ascensão e queda. Bem como funciona a euforia e a falta dela. From Genesis to Revelations.

O twitter também fez parte desse momento único: a timeline era pura psicodelia e progressivismo. Saudade de um período desmoralizado, por mais que bem menos politizado. Não sufocava esse liquidismo desta pré década de 20. Esses padrões estabelecidos, desmontados e recriados como um espelho. Você tem que viver bem, feliz, ticando sua checklist, saindo fora de relacionamentos porque aparentemente lidar com ser humano é sempre uma explosão de Chernobyl. Reciclando, mesmo que as grandes multinacionais é que estão acabando com o planeta. Capitalismo: o sempre inimigo nº 1. O mundo está uma bagunça e os debates acalorados são tantos e sobre tantas coisas, que toda a beleza da manhã que era 2011 tornou-se um engarrafamento poluído e barulhento, desarmônico, exato oposto das músicas de 48 minutos. O hippie votou no capitão da reserva, a @cogumeloprofeta fechou a conta, a Universidade Camilo Castelo Branco faliu e foi vendida para uma empresa parceira da CBF e do Flamengo, o professor Fernando se mudou para Tocantins, eu mal me lembro das disciplinas, odeio outras pessoas, um ódio agressivo e que me dá azia mental. Eu queria que meu lado B fosse Echoes, porque em Meddle o melhor lado é o B. Mas parece que não. O que me resta é o bom disco do Ave Sangria, que não é ótimo, porque é um vestígio do passado misturado com este presente, mas ainda bom, ainda um alívio. E eu não posso deixar de (e sempre quero) terminar esse texto com a voz do Richard Wright
Every year is getting shorter
Never seem to find the time
Plans that either come to naught
Or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desperation is the english way
The time has gone, the song is over
Thought I'd something more to say

1. Engraçado é que quinta-feira 13 foi o dia em que a palavra evangelização estava em todos os lugares: no Museu, na terapia, na Paróquia de N. S. Achiropita. Para os desinformados, evangelizar significa "trazer a boa nova". Não necessariamente se aplica a religião.
* Texto terminado em 16 jun. 2019 01:06.

26 de mai de 2019

Otro día que va para recomenzar

Minhas artes.Agradecimentos: unplash
O rascunho de post seria outro, muito mais reflexivo e de autoconhecimento. Mas, depois de tantas semanas de projeto, meses de agonia sentimental, e anos de baixa autoestima - eu não sei como isso aconteceu -, eis que, numa conversa sobre religião no grupo do Bandejão da PUC™ entramos no subtema Santa no soy, por RBD (yo digo érre, tu dices...).

Tinha eu 13 anos quando começou uma nova novela mexicana da Televisa no SBT (exibida entre 15 de agosto de 2005 e 29 de dezembro de 2006), lembro que eram muitos jovens pulando uns nos outros em sofás e jardins. Pensei "nossa, que bosta", e virei fã no primeiro capítulo em que assisti.

Sinopse: seis adolescentes do colégio Elite Way School, cada um de uma realidade e com seus dramas pessoais, se unem através da música, cantando em bares às escondidas.
  • Mia Colucci, a patricinha órfã de mãe (pero no mucho), mimada pelo pai ausente que não sabe lidar com a paternidade solitária e trabalha na indústria da moda; 

  • Odiava, aprendi a amar
  • Miguel Arango, que tudo tinha para ser comunista, pois: jovem pobre do interior (Monterrey -  que é no Nordeste do México AAA), que teve o pai morto por questões de desemprego, virou o famoso cangaceiro solitário: planejando vendetta contra o pai de Mia, e não concluindo nunca na hora H pois se apaixonou pela donzela;

    Não dava muita bola, agora muerro de tesão
  • Diego Bustamante, filho do político León Bustamante (que também gosto, pois tenho uma queda por senhores idosos opressores charmosos - e também pelo traidor que não consigo odiar: Ciro Gomes). Criado para ser cabra-macho, tornando-se portanto um Eduardo Bolstoniro alcoólatra menor de idade, que se apaixona pela pessoa mais oposta a ele, admirando secretamente a coragem que não tem.

    Guapíssimo, pero hijo de puta

  • Roberta Pardo, a rebelde desbocada filha de uma cantora famosa, que tem um pseudo-pai opressor (e um pai professor motoqueiro - e "um pão", misericuerdia), se sente sozinha de tanto ser jogada para lá e para cá, odiando regras e sendo muito Foucaultiana no colégio. Se apaixona pelo burguezinho safado acima, ay caramba. Só podia ser a mais rebelde dessa escola, uma sobrinha-neta da comunista Frida Kahlo não podia decepcionar.

  • Mi espirito animal

  • Lupita Fernandez, amiga de Roberta, meiga, pobre, com uma mãe bruxa-véia-safada e uma irmã com Sindrome de Down, que é a luz de sua vida e a faz aguentar essa vida de muito choro e desengano, pois os homens que aparecem em seu caminho são todos - como sempre - covardes. Autoestima lá embaixo (eu), por levar gritos da mãe e chutes na bunda dos namorados. Amiga de todos, conciliadora e muito meiga.

  • Como as pessoas me vêem, minha nossa senhora de Guadalupe

  • Giovanni Mendez Lopez, o amigo zoeira, cada dia uma cor de cabelo com as cores de um de meus sucos favoritos (laranja com cenoura e beterraba), tem seu lado obscuro, pois também é proletário, digo, lumpemploretário, com vergüenza de seus pais de nova classe-média, enriquecidos por fazerem sucesso com seu açougue e serem muito simpáticos. Na verdade seu nome é Juan, e finge que sua mãe é uma babá louca. O que a pedagogia do oprimido não faz?

  • O mais divertido de todos, e que mais decepcionava também
Entre outros complexos e clichés personagens maravilhosos. RBD era uma banda que ouvi o caminho todo para Foz do Iguaçu em 26 de dezembro de 2005. Uma banda que foi motivo para eu ficar 6 meses brigada do Roger (gente, eu sou muito cuzona), que era meu tema de busca no Cadê do Yahoo em 2006 quando finalmente ganhei meu primeiro computador - e me aprisionei no vício cibernético -, que me fazia usar 300 pulseiras no braço, ter RGs dos personagens, assim como figurinhas, álbuns. E que me fez - a mim, uma pessoa por muitos anos introvertida - representar a Lupita no palco da escola. Meu primeiro curso de español também, obviamente.

Ouvindo o disco num dia que resolvi fazer as coisas por mim e para mim (depois de ler minha carta Cinco de Copas do Tarot do amor), conversando sobre a banda, criei este pacote de stickers para WhatsApp que, é claro, não vou cobrar nada, apenas divulgação do meu bloguito querido. Quem topa?

Maravillosos stickers de RBD

12 de mai de 2019

Tag: você tem esse livro?

Elizabeth Shippen Green - The library, 1905
Eu deveria estar escrevendo dois textos para duas avaliações, que entregarei na próxima aula da pós, mas não estou concentrada. Então vou responder uma tag para ver se pego no tranco da escrita por aqui! Vi essa tag no La petite souris.

1. Você tem um livro infantil?

Vários. The complete works of Lewis Carroll (minha versão é essa), kits que o governo do Estado dava na década de 2000 (a primeira vez que li Os Miseráveis foi numa dessas edições), e talvez outros. Mas meu xodó é a reparação histórica que fiz para mim mesma, comprando Os colegas, da Lygia Bojunga. Foi o primeiro livro que li na vida, emprestei e nunca mais voltou. Agora eu tenho um, infelizmente não na versão que eu tinha, mas com as mesmas maravilhosas ilustrações. E comprei 500 anos, da Regina Rennó. Não chegou ainda, mas sei toda a história e recomendo que vocês busquem, serião.

2. Você tem um livro que você não entendeu?

A filosofia da Miséria, de Proudhon. É em dois tomos, li um inteiro, enchi de post-its, mas não me lembro de uma linha sequer. O pior é que quero ler A Miséria da filosofia, de Marx, mas preciso dessa leitura anterior, porque uma responde a outra.

3. Você tem um livro baseado em outra história fictícia?

Acho que sim, mas não sei qual.

4. Você tem uma série que não finalizou?

Harry Potter. Li na escola, com livros emprestados, até a Ordem da Fênix. Comprei já adulta, reli até o Prisioneiro de Azkaban. Dei a coleção para minha amiga e jovem aprendiz do serviço, que virou fã. Porque sei que não vou ler mesmo.

5. Você tem um livro esgotado?

Acho que sim, não estou certa disso.

6. Você tem um livro em edição de bolso?

Tenho praticamente uma coleção inteira da L&PM. Só filosofia e Bukowski.

7. Você tem um livro escrito por um autor usando um pseudônimo?

Todos os livros do Eric Arthur Blair. Quem será?

8. Você tem um livro ilustrado?

Muitos. Talvez o mais ilustrado de todos seja um livro de pôsteres da União Soviética.

9. Você tem um livro que nunca ouviu falar antes?

Sim. Do mesmo modo por muito tempo comprei aquela coleção dos pensadores, então tem filósofos que eu nunca ouvi falar, porque eu sempre fui doida por filosofia e outras épocas. Se eu li? Ainda não.

10. Você tem um livro que foi adaptado pela tv?

O Auto da Compadecida, Dom Casmurro, Gabriela, cravo e canela, Tieta do Agreste, Dona Flor e seus dois maridos.

11. Você tem um livro escrito por alguém que é originalmente famoso por outra coisa?

Inside Out, do Nick Mason, que é baterista do Pink Floyd. Se escreveram por ele eu não sei, mas catalograficamente ele está na posição de autor. Deve ter mais coisas, mas não me lembro.

12. Você tem um livro autografado?

Berkeley e o esse est percipi, do meu ex-professor de filosofia Jean Siqueira.

13. Você tem um livro de poesia?

Pablo Neruda e Bukowski.

14. Você tem um livro com um selo de prêmio?

Espero que não, porque daí a capa fica brega, né? Autores premiados tenho vários.

15. Você tem um mesmo livro em duas versões?

Tenho três versões de A Revolução dos Bichos, três de 1984, de duas a quatro de Wuthering heights (nunca li, ganhei todas), duas de Cem anos de solidão, duas de Os Miseráveis e talvez mais outros.

16. Você tem um livro de contos?

Tenho contos do Tchekov: A corista e outras histórias, se não me engano. E contos de Machado de Assis.

17. Você tem um livro em outra língua?

Tenho vários em inglês. E acho que um em italiano.

18. Você tem um livro que foi transformado em filme?

Os Miseráveis, O Assassinato no expresso do oriente, O Auto da Compadecida, Wuthering Heights, A Revolução dos Bichos, 1984, Admirável mundo novo, Coraline, Laranja mecânica, Fahreiheit 451, Decamerão, Guerra e Paz, Dona Flor e seus dois maridos, O cortiço...

19. Você tem uma HQ?

Em digital eu tenho Ghost World, A Piada mortal e Watchmen. E, colocando mangá na mesma categoria, tenho a coleção completa de Sailor Moon, e estou tentando doar Naruto e Bleach.

20. Você tem um livro escrito por 2 ou mais autores?

Essa eu deixo para vocês tirarem suas próprias conclusões!

Marxists.org

Não tá fácil pra ninguém, então... Se você se interessou por algum desses livros e quiser comprar, clique nos links que deixei, que ganho uma comissãozinha da Amazon, tá? Já a parte de filmes, clicando você lê a sinopse de cada um no filmow.

29 de abr de 2019

O sol das 15 horas

Fotografias da colagem por mystic jupiter; música: Pink Floyd - Grantchester meadows
Existe um período mágico no dia. Um momento em que parece que a vida se desnuda de todas as máscaras, e retorna à simplicidade inicial, ancestral, coletiva e humana. Esse momento é o das 15 horas.

Desde pequena, seja por memória afetiva ou por pura abertura dos seis sentidos, eu consigo parar e sentir paz. Mesmo em meio a uma crise de ansiedade. É ver o Sol dando sua primeira evidência de um tchau e anunciando a chegada da Lua. É o momento em que a mãe chega em casa para abraçar com toda a força e lembrança aquilo que é seu.

É o momento em que costumamos tomar café. Lá em tia Rivanda, nas últimas vezes em que fui, era avisada deste momento assim: ☕ - via whastapp. Aqui em mamãe, é o instante em que muitas vezes ela chega com queijos, pães, biscoitos lá da Casa do Norte do Seu Zé. E, no passado, quando papai chegava da casa dos irmãos ou primos na rua de cima anunciando com Eeeeeeeeeeu sou a mosca...

No serviço, tudo pode estar ruim, péssimo, desandando. Mas nada é eterno quando sei da hora do café. Tem gente que pensa no almoço, tem gente que pensa na hora de ir embora. Eu penso naqueles 15 minutos vendo o Sol do lado Oeste, já morno, cansado. Talvez isso o faça diferente da manhã: a morneza do Sol matutino é uma preguiça ativa, uma juventude calorosa. A morneza da tarde é quase uma frieza, um sono e tranquilidade de dia aproveitado (por ele mais do que por nós - ou também por nós, mas nós que somos, talvez, mimados e ingratos demais para ver que cada dia tem suas vitórias).
Meu quintal e uma caneca que na verdade não uso, mas é linda.
Hoje fui lavar uma panela para esquentar o leite e vi a sombra luminosa do sol pela janela da cozinha. É também o momento do canto de alguns pássaros. Quando pequena, tínhamos muitos, papai chegou a ter trinta de várias espécies numa casa de dois cômodos. Acostumei com suas vozes de um jeito que já tratava todo aquele som como silêncio. Mas é nas preguiças solares que seus cantos são evidentes. (Agora não tenho nenhum, não se preocupem).

Acho que o momento foi feito para eu escrever aqui. Me lembro da primeira vez em que prestei atenção em Summer '68, e foi num final de tarde, cuidando de um passarinho. Hoje, fui buscar algo para ouvir - Led Zeppelin não estava combinando -, e vi pelo Spotify que meu camarada Rafael estava ouvindo Sysyphus, Pt. 4, do maravilhoso Ummagumma. Ele inclusive tem um texto sobre esse disco que nunca me esqueci.

Esse disco à primeira, milésima vista, pode ser um pouco "diferente" para quem não mergulha nas profundezas flúidas floydianas, mas faz total sentido se você considera toda essa questão do sol, do orvalho, das folhas úmidas, do cheiro do ar fresco, dos sons mais mínimos de aves, insetos. Se você observa o musgo na raíz da árvore, a flor balançante, e percebe os silêncios.

Falando em silêncio, eu percebi muito bem esse daqui. E as moscas na janela me hão de ser lembradas agora pela singela Several species of small furry animals gathered together in a cave and grooving with a pict! - sem o triste fim da música, obviamente.

20 de abr de 2019

Eu sou, eu fui, eu vou

Areal, Solânea - PB // Estação Tamanduateí, São Paulo - SP*
“[…] Piensas que, cuando te jubiles, podrás hacerte una casita junto a la playa, pero lo piensas porque falta mucho para ese momento. Ya nada volverá a ser igual. Y no porque los otros hayan cambiado, sino porque tú te has transformado en otro; y hasta es posible que no encajes ni en el mundo del que partiste ni en el mundo adonde has ido a parar. Al final aprenderás a vivir en la frontera de los dos mundos, un lugar que, aunque puede ser de división, también lo es de reunión y punto de encuentro. Un buen día te juzgarás a ti mismo afortunado por el hecho de disfrutar de dicha frontera, y descubrirás que eres más completo, más híbrido y más inmenso que cualquier otra persona”**
– Najat El Hachmi
O meu projeto de mestrado tem me dado medo. Estou paralizada desde que decidi o tema, assunto, ou qualquer coisa que os professores considerem, porque é uma coisa que eu sempre quis fazer. Mas sempre tive em mente em fazer para mim, quase que no formato diário, um projeto pessoal e familiar. Punto e basta.

Acontece que eu queria um tema x - que ainda vou escrever, mas provavelmente no Cabaré das bacantes -, e professor Alberto falou para eu pensar algo y e mais "nacional", de modo que A Banca™ (leia "A banca" como o narrador de Capitu lê os capitulos da minisserie) aceitasse mais facilmente me dar uma bolsa. Fosse outra pessoa eu ficaria ofendida, mas meu professor é sensacional desde sempre e está certíssimo.

Na busca pelo meu y, sonhei com o tema: eu não lembro qual tema era, mas eu constatava: "nossa, era isso o tempo todo!".

Sofri uma semana - a gente tem o costume de dizer que mulheres não-mães engravidam de projetos né? Tô prenha pessoal - para encontrar um tema. Na mesma semana em que vovó quase morreu. A segunda, porque a primeira se foi 20 dias antes. Esta foi internada no mesmo dia em que apresentei o tema x, então eu fui conversar com familiares etc. e, encurtando o caso, eu percebi que "nossa, era isso o tempo todo!" - minha família como fonte histórica. Como parte da História que eles acham que eles não fazem parte: a com H maiúsculo.

Não vou dizer o tema em si porque essa coisa ora não anda, ora se move demais, então é um vulcão querendo estar ativo mas expelindo lava nenhuma ainda. O que eu sei é que tenho lido Raquel Rolnik e outros autores que estudam a Zona Leste de São Paulo e os migrantes nordestinos - especialmente paraibanos, que é o meu caso.

Posto isso, volto a falar de minha dificuldade. Se isso é tão minha praia, se estou dentro do acontecimento em si, como o Doctor Who que vocês tanto amam, por que tanta dificuldade? Tenho fontes orais vivas e entrelaçadas por sangue, tenho o bairro em que vivo há pouco mais de 18 anos e conheço há mais de 20, nasci e moro na capital econômica do país (bela mierda de cidade), o que me aflige?

Eu. "Eu" me aflige. Porque é um profundo mergulho no autoconhecimento. Sei que vou rasgar o véu do romance que eu crio sobre a realidade. Se eu digo que o termo "parem de romantizar..." que vocês militantes jovens usam (e com razão) é uma droga, é porque eu sou uma romantizadora nata, sou romântica, fantástica, e tudo o que há de olhar subjetivo e afetado sobre a realidade (mas o que é a realidade?), e não admito perder essa proteção mágica do sonho. Mas é isso que, se não vou perder, vou transmutar gravemente com essa pesquisa. Estou tendo que lidar com a realidade dura daqueles que "não têm história", nem saneamento básico, transporte decente, respeito pelos "nativos" xenófobos, dinheiro, sossego, segurança, lazer, acesso a bibliotecas, museus, exposições, palestras, simpósios, sindicatos (!), universidades... Pessoas essas que com certeza votaram em tudo o que está aí, porque talvez jamais tenham ouvido falar em consciência de classe ou política como sistema para além do voto, ternos e Brasília.

Compreendem? E pior que isso. Porque isso é até normal para todos nós que temos nossos pais e não sabemos conversar com eles, apenas com nossas bolhas no twitter:

Aquela frase em espanhol ali em cima é sobre mim. Sim, "mim". 

Em um evento que também não precisa ser detalhado, meditei e me veio certinho na minha cabeça que eu era uma semente de planta debaixo da terra, onde buracos nessa terra bege, seca, deixavam transparecer raios de sol. Estava eu lá quentinha e quieta descansando minha juventude-de-semente. De repente, a música da meditação ficou tensa como cena de violência em filme, e uma mão arranca eu-semente do meu buraco e me leva para longe, enquanto eu lamento aqueles choros doloridos do purgatório do Auto da Compadecida.

Mainha em São Paulo.***
Não preciso ser analista Junguiana para entender que esse é o trauma de eu ter nascido em São Paulo. Tudo estava pronto e certo para eu nascer em Solânea. Afinal, meus pais me fizeram lá, e de lá mamãe saiu grávida de mais ou menos cinco meses. Eles serão parte de minha História também. Eu sou uma flor de mandacaru ceifada da terra seca, trasladada do Nordeste para o Sudeste no início de 1992, feito muda plantada e estabelecida em um vaso enorme, mas sufocante e aprisionador, denominado primitivamente de Vila de São Paulo de Piratininga.

Só que é aquilo: eu não sou paulistana na mesma medida em que não sou paraibana ou solanense. Chico Science diria que sou Cidadã do mundo. Trezentos anos atrás, na universidade (faz tanto tempo que eu não sei onde encontrar fonte disso), uma professora explicou que ser grego independia do local geográfico, mas sim das práticas de ser grego. Algo do tipo. Ano passado também (faz tão pouco tempo que eu também não sei onde achar fonte disso), outro professor na pós comentou que etnia está mais ligada a considerar-se parte de, do que ser porque se é. Eu me sinto parte de lá, mas estou cá.

Mas há também outra questão: como exemplo ainda da explicação de etnia do professor, os descendentes de japoneses aqui não são considerados com muita relevância pelos próprios japoneses no Japão. O mesmo para descendentes de angolanos, se não me engano. Já são outra coisa que não de lá, e aqui também são outra coisa. Enfim. Acho que é isso que Najat tenta dizer. 

Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais até a página dois (odeio esse tipo de citação hahaha). Não somos os mesmos e vivemos como no passado. Comecei a perceber isso lendo o tão criticado Sérgio Buarque de Holanda (é bom criticá-lo, mas ele é relevante e sua relevância até para a crítica é algo indiscutível), e a perceber que eu exijo originalidade num mundo, num tempo, numa cidade, numa vida, num planeta onde isso non ecxiste. Afinal,
Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.
– Lavoisier
Ou melhor,
Somos todos juntos uma miscigenação
E não podemos fugir da nossa etnia
Índios, brancos, negros e mestiços
Nada de errado em seus princípios
O seu e o meu são iguais
Corre nas veias sem parar
Costumes, é folclore é tradição
–  Nação Zumbi, Etnia
Ou, ainda,
Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar
[...]
Andar pelo Brasil
Ou em qualquer cidade
Andando pelo mundo
Sem ter sociedade
–  Nação Zumbi, Um passeio no mundo livre

* Fotos minhas. Araucaria angustifolia e Cereus jamacaru (não sei como funciona a política de colagem com desenhos dos outros, então eis aqui a origem.
** Cheguei nessa citação a partir da tese de doutorado em geografia:
SOUZA, Thiago Romeu de. Lugar de origem, lugar de retorno: a construção dos territórios dos migrantes na Paraíba e São Paulo. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2015. Disponível em: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/16966. Acesso em: 20 abr. 2019.
*** Acordei com essa foto em cima do notebook hoje, era um sinal de que esse texto aconteceria.
**** Título do texto, que jamais poderei deixar de citar: Raulzito dos Santos Seixas - Gita

14 de abr de 2019

11. O cordel estradeiro

Meu primeiro due tone: Cordel do Fogo Encantado por Jornal Portal do Sertão
Aqui é cantado um nordeste que alguém poderia até dizer romantizado, mas acredito que seja algo mais profundo: um fragmento de nordeste real interligado fortemente com o seu passado, passado do nosso Brasil. Assim como podemos ver em Interestelar, uma sobreposição de temporalidades no eterno presente.

Tenho lido Sérgio Buarque de Holanda, estudado Gilberto Freyre, refletido minha própria visão sobre a terra dos meus pais a partir das incongruências, complexidades e paradoxos dos referidos autores, lembrando de conversas com minha irmã, e de representações do Nordeste em outros locais, como o Sudeste, de quem sou filha (por ocasião, e não por merecimento). Peguei aqui Os sertões para me inspirar de alguma forma e ter o que citar e o que dizer... Mas eu apenas digo a vocês que meu Nordeste é uma Macondo brasileira. Não por imitação, já que o Nordeste é o lugar mais original deste mundo. Original por ser atemporal.

Este, por mais que não seja o, é um nordeste. Nós possuímos fragmentos de um passado colonial, e mesmo feudal, ainda vivos no presente. Não só herança moura, européia, mas africana, americana. Fortemente. Algo que, por mais que a globalização o imperialismo avance, de alguma forma ainda não foi perdido. Está no Maracatu, relembrado no manguebeat, está nos artesanatos que os gringos e os paulistas adoram comprar, mas que não calam sua xenofobia por aí. Está nas igrejas tricentenárias, nos engenhos persistentes, nas memórias dos meus (nossos) pais, tios, avós. Nos filmes de cangaço, nos sertões de Euclides, nas Vidas Secas de Graciliano, nas Bahias de Jorge Amado, no cheiro da terra, lenha, gado, borralho. No som do chocalho. Nos juazeiros e umbuzeiros. No céu aberto e escancarado, caindo sobre nossas cabeças. No r rasgado, na polidez do vocabulário, na genialidade do repente, na talhada dos cordéis, da Pedra do Ingá, da Boca, do Lajedo de Pai Mateus, nas Trilhas de Sumé. Na Paraíba masculina (sim) mulher-macho (sim) sim, Senhor!
Eu também sou cangaceiro
E o meu cordel estradeiro
É cascavel poderosa
É chuva que cai maneira
Aguando a terra quente
Erguendo um véu de poeira
Deixando a tarde cheirosa
11. a song that you never get tired of (uma música da qual você nunca se cansa)
Cordel do Fogo Encantado é uma banda teatral - "um grupo cênico-musical, compartilhando o teatro e a poesia oral e escrita dos cantadores e ritmos afro-indígenas da região" - nascida no ano de 1997 em Arcoverde, Pernambuco. Conheci ano passado, provavelmente porque Lirinha, o vocalista, é componente da trilha sonora de Lisbela e o Prisioneiro. Curiosamente, na mesma semana em que conheci a então falecida banda, eles voltaram! E com tudo, parece.
"Cordel" é sinônimo de história de um povo em forma de poesia.
"Fogo" é o elemento mais representativo do lugar de origem e da intenção músico-poética inconstante e mutável do grupo.
"Encantado" ressalta a visão fantástica e profética dos mistérios entre o céu e a terra.

Leia os outros textos do 30 day music challenge aqui.

10 de abr de 2019

O texto é o jardim da palavra

Acordei às 3h56 da manhã de um sonho muitíssimo interessante. Do tipo de sonho que não me lembro de ter tido, e se tive foi há muito tempo. Só sei que acordei e escrevi onde deu: o texto é o jardim da palavra.

Essa frase, no sonho, é o termino de uma frase em espanhol e português sobre trabalho e família, que veio como um clarão na minha cabeça mas só restou no sentido. No próprio sonho eu achava estranho, porque era minha chefe citando de cabeça algo que a chefe dela de 96 anos comentou. Eu pensava "nossa, Ana, que memória, nem sabia que você era tão fluente em espanhol".

Eu trabalho num museu de história "quatrocentona". E esse semestre a disciplina que mais me pegou na pós foi Teoria da Historiografia Brasileira. Não à toa, comentei no texto passado sobre teoria e metodologia: estou estudando justamente isso. Segunda eu li alguns capítulos de Caminhos e fronteiras, de Sérgio Buarque de Holanda, pai de Chico. Era sobre bandeirantes e indígenas, ou ainda, mamelucos - termo que nem sei se é atualizado, mas que não importa no atual contexto.

No sonho, fazíamos uma apresentação histórica da referida família, com a neta do personagem principal apresentando - tentando apresentar, melhor dizendo - para mais de 30 outras mulheres, falastronas, desatentas e desinteressadas, essas histórias particulares coloniais.

Acontece que, no sonho, havia uma gravação, que não sei se era documentário ou resquício de uma entrevista real (se fosse essa segunda opção eu me desmancharia em lágrimas crying in historian language), mas que o próprio biografado contava, com uma voz idosa, de como a família descobriu documentos, graças a Castro Alves (Castro Alves foi amigo da família, mas acho que meu sonho quis dizer Ruy Barbosa), importantíssimos sobre a perda de familiares mamelucos e a busca desenfreada por eles após alguma guerra brasileira. Enquanto a voz ia contando, eu estava debaixo de uma mesa da reserva técnica, olhando para cima e vendo diversas cartas cartográficas, mapas, de tecido grosso e rústico, com a caligrafia do biografado (essa meu cérebro acertou em cheio) à lápis marcando a data de 1900.

Depois, esse material todo sumia, mas eu levantava da mesa e dava graças ao senhor, porque meu chefe havia chegado e guardado longe das desatentas, desinteressadas e do seu netinho que queria olhar com a lupa encostando-a e arrastando-a pelo papel. Eu ensinava sussurrando a ele como fazer uma observação correta em uma cópia de planta, sem precisar tocar no papel.

* * *

Ainda antes disso, eu percorria um caminho onde passava por uma casa cheia de tecnologias, e ajudava a plugar um pen drive num computador novíssimo da Dell, e o cara que me pediu isso simplesmente estava testando o sistema windows mais rápido da história até então. Vi, com estes olhos interiores, a magia acontecer. Em menos de 30 segundos - de um minuto, com certeza - não só aparecia a área de trabalho, como se clicava no google imagens e se buscava imagens extremamente nítidas, como se todas tivessem mais de 3000x2000px.

Nessa busca-teste, pedi para ele clicar numa foto conhecida por mim, que era do cantor Zéu Britto. Ele clicava comentando "é, o Zéu é bonito, né?". O próprio se parecia com ele. Nesse comentário ele estava com uma amiga, que começou a conversar sobre as peculiaridades linguísticas do cantor baiano, e que, para continuar a conversa, me perguntou se eu sabia outras línguas. Eu respondia francamente "só sei ler", e eles riram entreolhando-se, ação que significava nitidamente "mas ler é falar, está implícito".  E ela continuava a conversa, falando de jogos de fala, onde o Zéu engambelava um inglês com o próprio português.

Pela característica de criação - o Zéu é um criador, mas não especificamente nesse uso da palavra -, eu acho que o sonho captou a força com que ouvi Tom Zé ontem à noite. Também baiano e inventivo, Tom Zé é ipsis litteris o pai da invenção, fato constatado pela Rolling Stone anos atrás.

Ainda lembro de outras coisas, que não selecionei por não ser essencial. Mas, que sonho de historiador, né? E sim, eu refleti tudo isso dormindo e acordada, às quatro horas da manhã, pois me acordei sem um pingo de sono e tive que me levantar para tomar café, deitei e escrevi, assim como me veio. Agora eu vou dormir. Mais tarde atualizo o texto com imagens e gifs, que vocês sabem que eu adoro.


9 de abr de 2019

E vocês com isso?

Guglielmo Zocchi, Confidences. - ou olha aso coisas que essa doida escreve kkk
Esse blog existe desde 2008. Em fevereiro ele deve ter feito 11 anos, mas eu nunca soube quando de fato comecei a blogar. Só sei que os rascunhos que sobraram datam de 2013, e eu estava lendo algum aqui para ser reaproveitado... Fico impressionada com o tanto de introduções boas que já fiz e não levei adiante. Ou mesmo de coisas que ainda hoje fazem total sentido e eu poderia e vou continuar a escrita, para depois publicar. Mas, assim... Como o tempo passa, né? Tem texto aqui que ainda me lembro o que pretendia, o que estava fazendo quando pensei... E é simplesmente um texto de julho de 2017. Onde foi que me enfiei?

Resolvi fazer um texto extremamente novo, porque não consigo escrever sem a faísca do sentimento que as palavras necessitam.

Estou bastante ocupada ultimamente. Até projetos que eu tinha iniciado, deixei um pouco de lado porque as aulas voltaram, e com elas as leituras e desesperos. Sem esmiuçar muito, eu decidi - na marra - meu tema de mestrado, que envolve minha família e a migração paraibana para São Paulo. Pelo menos é esse o propósito, para a criação de um projeto até dezembro de 2020.

Fora isso, tem os textos teórico-metodológicos - que eu amo, e me parece que boa parte dos historiadores com os quais esbarrei na vida ignoram um pouco a história da historiografia, se envolvem em paixões e ficam um pouco cegos para o método -, as notícias, e as pesquisas no próprio museu. Então são mais de 12h diárias de leitura com toda a certeza. E é claro que leio algo aqui e ali por pura e simples vontade. Coisas que quero muito escrever aqui e no medium, mas que ainda não tive tempo ou iniciativa de montar o quebra-cabeças, criar as imagens. Mas ideia, uhf. É o que não falta.

Leio também sobre organização, journals. Mas, quem disse? Decidi aceitar-me como sou. Desorganizada, necessitando de prazos e cumprindo-os apenas aos 45 do segundo tempo. E olha, se engana quem acha que bullet journals e planners são inovações. São os bisnetos das cadernetas financeiras e diários de muitos cidadãos do século XIX. Apenas. E sábado eu percebi uma coisa. Meus cadernos de estudos por si só são journals. Mesmo que junk. Eu faço sketchs - melhor dizendo, os bons e velhos rascunhos -, uso canetas coloridas, abuso de setas e bullets - uma bolinha de lista, vai. E fica lindo. E é no fluxo de pensamento. Então não tem que ter essa coisa de método não. Só na historiografia, pero no mucho, porque também sou contra academicismos e podas desnecessárias nas ideias do pensador. Podemos até seguir métodos às vezes, ou pelo menos conhecê-los. Só acho que devemos sempre lembrar o que Lavoisier já dizia:
Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.
Geralmente as mais recentes e badaladas inovações tecnológicas que fazem certas esquerdas (direitas, centros, anarcocaps - kkkk - também) ficarem ouriçadas, alegres e contentes, nada mais são que o Capital nos fodendo novamente. São coisas velhas e que um dia fizeram sentido, e que hoje nos fazem falta porque a sociedade é líquida beirando ao niilismo ou sei lá o que, então algum hipster revive algo legal dos nossos avós, investe numa startup (gente...) et voilà. Eis mais uma gentrificação. Porque tudo que é sagrado é profanado. Tudo que gera lucro, bom, gera lucro. Até coisas que nos representam. Então não é só algo legal. É algo superficialmente legal, que nos aprisiona no consumo e na mansidão do balir das ovelhas. Acho que consumir tendo essa consciência de que impacta não somente os nossos bolsos, está de bom tamanho.

Mas enfim, nem era sobre isso que eu queria falar. A Maria falou muito mais bonito e descomplicado. Um dia falo por aqui também. Eu queria mesmo era tirar o post anterior da página inicial porque não aguentava mais!


Atualização em 11 abr. 2019 16:38: Leiam também esse post da Nádia, sobre obrigações de leitura.

7 de mar de 2019

O dia em que me permiti uma adolescência tardia

É isso, pessoal. Ela volta. A gente diz vaza, fia!, e a danada da ansiedade não arreda o pé. Pirracenta, ela nos espia pelas costas, dando aquele arrepio gélido, por motivo nenhum, só porque gosta de atazanar.

Daí eu pensei em ouvir Genesis. Mas em dias muito péssimos eu estava ouvindo The Lamb lies down on Broadway on repeat, então ouvir hoje foi atiçar mais o fogo da maledetta. Fui fazer alguns nadas no twitter e li uma história muito boa, que me fez querer ouvir quem me traz lembranças boas, que é simplesmente o senhorito David Robert Jones. Coloquei aquele disco lá que todo mundo se amarra, e continuei lendo a divertida história. Me animou.

Me animou mais quando começou o melhor disco de todos os tempos dele, que obviamente não é o outro, mas sim Hunky Dory. E eu pensei, "eu preciso imprimir a capa desse disco e deixar bem na minha cara quando acordo todas as manhãs. Que se dane como é cara uma tinta de impressora Epson."
fui lá e pesquisei. imagem: minha mão, artrage e caneta+mesa digitalizadora
Então essa foi minha artezinha do dia. Brigar com a impressora para ela funcionar, imprimir a capa do David numas folhas amassadas de papel fotográfico do tempo da minha irmã. Mas se você pensa que isso foi final feliz o bastante, veja só, repare, o que encontrei buscando uma simples e bela capa de disco:

por favor, meu querido
Então foram duas impressões, três alfinetes, um prego e um martelo. Et voilà!


quando você brinca desesperada no canva e sai algo no mínimo interessante ♥
A parte da adolescência ia ser mais acentuada porque lá no whatsapp do cê, começaram a conversar sobre filmes do Tim Burton (hahaha isso é tão eu nos anos 2000), e me deu uma saudade de Beetle Juice. E elogiamos Marte Ataca! (tudo com Jack Nicholson é bom), metemos o pau em Alice no país das maravilhas (é uma bosta mesmo, indiscutivelmente). A questão é que eu veria Beetle Juice, se não passasse das dez, se tivesse na netflix, e se eu não fosse trabalhar amanhã. Com preguiça de baixar (no final das contas acabei baixando), fui fazer outras coisas que nem me lembro mais.

eu lidando com a minha ansiedade 24/7
Mas decidi fazer um mimo por dia, bem ou mal feito. Para mim ou não. Algo feio-bonito, já que está na moda entre os jovens (obrigada, pessoal). Quero entrar na onda, não me importar, ou me importar com algo que me faça esquecer o friozinho nas costas da senhora ansiedade.

Se os fantasmas se divertem, por que então eu, que estou viva, não? 👩💀👻


Esse é um daqueles posts que a gente faz graça mostrando superação, mas na verdade está escrevendo para se fazer acreditar. Mas a gente tem que manter a pose perante o inimigo, né?

3 de mar de 2019

Projetos

Boccacio - Concerning Famous Women, sécs. XIV-XV manuscript illustrating the peintresse Thamar
Oi, pessoal.

O texto de hoje vai ser de informes, convites e aguardos.

Resumindo a ópera, a partir de terapias, meditações, círculos, rituais e desabafos, descobri que o grande problema da minha vida é ser uma pessoa entupida. De pensamentos, de ideias, de sentimentos. Tudo que possui energia eu retenho, incho, tremo e explodo. Daí a ansiedade. Então, nos últimos dias, resolvi desabafar, resolvi dizer que amo, resolvi amar. Não bastando tudo o que comecei, inventei de começar mais. Mas dessa vez vou ter terminativa, como me ensinou meu amigo Roger. Temos iniciativa, mas terminativa, que é bom, nada. Por isso fico doente. Então vejam só o que vem por aí:

filme-c, carinhosamente apelidado de cê

Faço parte da equipe em questões de html, grupo do whatsapp, metatags e afins. Site maravilhoso para quem gosta de todo tipo de terror, com legenda.

💀 filme-c.com

projeto de leitura conjunta: mulheres que correm com os lobos

Essa é nova. Eu nunca fiz vídeo de nada, no máximo da minha gata acariciando minha cara em silêncio. Até ano passado não enviava um áudio seguer no whatsapp. Agora, em breve (adiou por conta do carnaval e questões pessoais minhas), Bruna e eu vamos fazer lives semanais sobre esse livro que mudou nossas vidas para melhor. Queremos compartilhar horizontalmente com as camaradas que lerem ou tiverem interesse em acompanhar. Sem distanciamento, sem academicismo, comentamos o que pensamos e o que sentimos dessa obra de Clarissa Pinkola Estés que possui a minha idade. Se inscrevam na newsletter e baixem um pdf lindo para acompanhar-nos nessa jornada! E sigam nossos instagrams, pois lá serão feitas as lives.

📚 newsletter + pdf ♦ vvinculo ♦ umvelhomundo

umvelhomundo: além do blog

Eu faço cadernos. Bordados. Costuras. Desenhos. Por enquanto, o instagram daqui será uma galeria de todas essas coisas. Dando certo, futuramente pode virar loja. Enquanto não vira, seria muito legal se vocês dessem essa força acompanhando minhas práticas por lá também. Pretendo sempre unir uma arte dessa a uma frase ou aprendizado bacana. Porque escrever nunca é demais, né?

🎨 umvelhomundo

Fora isso, ainda tenho projetos de pesquisa no trabalho, de um artigo com um amigo historiador e músico - que também está me ensinando a ler partituras -, fora o projeto de mestrado que eu tenho que determinar um tema logo menos.

Por incrível que pareça, fora cagaço de aparecer em público, publicar, vender, eu não vejo a hora de criar, montar, escrever. Preciso me encher para me esvaziar. E eu quero me encher apenas de amor, por mais gratidão 🌻 que isso possa parecer. Minha força está no amor, e meu sentido da vida está em professar.
Aquilo que ainda vai ser depois - é agora. Agora é o domínio de agora. E enquanto dura a improvisação eu nasço.

E eis que depois de uma tarde de "quem sou eu" e de acordar à uma hora da madrugada ainda em desespero - eis que às três horas da madrugada acordei e me encontrei. Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simplesmente eu sou eu, e você é você. É vasto, vai durar.

O que te escrevo é um "isto". Não vai parar: continua.

Olha para mim e me ama. Não: tu olhas para ti e te amas. É o que está certo.

O que te escrevo continua e estou enfeitiçada.
Clarice Lispector, Água viva.

18 de fev de 2019

Crenças que eu tinha e a humanidade me decepcionou

Vi o story de uma amiga com uma Brahma na mão e a legenda "Faculdade me corrompendo". Então comentei algo que fez graça nesses dias difíceis, e quero compartilhar certas graças e desgraças com vocês aqui, denunciando algumas ilusões que me alimentaram os adultos e a cultura pop:


Tinha para mim que faculdade era sinônimo de American Pie, e infelizmente parece que é apenas um lugar com xerox, provas, e alunos chatos com mais de 20 anos querendo saber que nota tiraram.

Eu não estou nem aí para críticas, amo besteiróis, sou muito personagem de um

Eu achava que adultos eram responsáveis, ou que não faziam coisas erradas. hahahahhahaha

Vocês não têm ideia do quanto eu amo o Michael Palin
Também achava que os adultos sabiam o que estavam fazendo, mas parece que crianças são mais competentes nesse aspecto.


Eu não confiava no poder de descaralhamento de uma mente com problemas de ansiedade ou depressão. Essa coisa é potente, busquem ajuda, não desistam, e usem esse gif para respirar quando preciso.

Nunca assisti a Parks and recreation, então dedico esses gifs à Manie, que me causou interesse nesse fofo aí
Acreditava que trabalhar com o que gostamos nos tornaria minimamente completos e satisfeitos.

Você trabalhando com aquilo que gosta
Um cliché, talvez milenar: talvez por conta do machismo, ou qualquer outra coisa, tinha para mim que homens eram fortes, decididos, desejosos e coisas do gênero. Mas dia após dia, tenho mais certeza de que as mulheres são as únicas trabalhadoras e pensadoras do mundo, que têm que ainda dar uns empurrões para ver se essas pragas se colocam em movimento, porque é tudo bebê com testosterona (que não serve para nada, aparentemente, 0% de fogos no rabo, muita lenga lenga e neca de pitibiriba de atitude), achando que estão fazendo tudo certo, mas não percebem nada e são mais inertes que uma montanha. [É claro que isto não é uma constante, né gente, só tô pistola]

Os batutinhas traduzem as relações humanas
É isto. Vai aqui minha denúncia.

Único homem possível

17 de fev de 2019

A suave pantera

[...] *

A fome de um bicho
– e mais se é pantera,
não tem o limite
que em gente tivera.

Não é como a fome
violenta, direta,
subjetiva, do homem,
a fome da fera.
A fome de um bicho
é cruel e eterna,

e toda inconsciente,
com uma força interna.
É fome indistinta
espalhada nela,
com íntima fúria
que ela não governa.

A liberdade da pantera
está justamente nisto:
que nem ela se governa,

e o que sucede é imprevisto.
Essa a vantagem da fera:
uma força que ela abriga,
inconsciente, dentro dela
– sob a aparência tranqüila –
e de repente se revela,

mas uma espécie de fúria,
que atinge inclusive a ela,
mas numa espécie de luta,
que é o modo que tem a cólera
de mostrar-se numa fera,
e que é a sua única forma
de ser pura, além de bela.


Além de precisa é ubíqua,
outra vantagem mais forte.
Por toda parte é sensível
sua graça, como um broche,
ou como coisa pousada
e em si mesma repentina:
os olhos onde violetas
cobram cores agressivas,
a cauda suspensa e lisa
como nuvem sossegada,
não solta, não qualquer nuvem,
nuvem presa como uma asa,
o corpo todo concreto,
todo animal, perecível,
e mais uma ânsia por dentro,
de ser livre, livre, livre.


Marly de Oliveira, 1960 [1]


* Leia completo: A suave pantera
1. Marly de Oliveira (1935-2007), poetisa de Cachoeiro de Itapemirim - ES. Professora de língua e literatura italiana, e literatura hispano-americana. Vencedora do Prêmio Jabuti de 1998. E ex-mulher de João Cabral de Melo Neto.

11 de fev de 2019

Vaza, fia!

Acabo de constatar por A+B o que engatilha minha ansiedade. É aquilo que alguns dizem que torna o homem digno e nobre.

Mas estou num momento de profundo desapego e luta pelo poder pessoal, de reconciliação com minha mulher selvagem, em lembrar que na vida tudo que é vivo, morre e também é nela que para tudo dá-se um jeito, menos para a morte.

Às vezes eu quero gritar e arrancar meus olhos úmidos das órbitas, às vezes eu quero amaldiçoar as pessoas e todas suas gerações anteriores e posteriores, às vezes quero sair de casa e nunca mais voltar, chegar em algum lugar com outro nome, completamente desconhecida... Às vezes quero chorar sem motivo, às vezes crio situações na minha cabeça onde tenho que me defender como um bicho ferido, onde culpo o outro por essa ferida, que nem deveria ser uma ferida, apenas um arranhãozinho de nada. Às vezes, tanta coisa.

Mas estou conseguindo dar passos, cambaleantes, mas passos. No meu torto caminho, onde eu digo os sims e os nãos, sem aquela ingenuidade de sempre ajudar, sempre ter tempo, sempre tudo para o outro e nada para mim.

Esse post é um lembrete para mim mesma e um desabafo, para eu, nessas ocasiões de estresse, ir lá na cara da minha ansiedade e dizer: vaza, fia! ha-ha-ha!

27 de jan de 2019

Sunshine blogger award pt. 3

Leia a parte 1 aqui e a parte 2 aqui
Chega ao fim minha trilogia dessa tag, com perguntas da Ana! Isso está pronto desde as eleições, mas eu queria ter um post na manga para momentos como esse, que quero postar mas não sei o que.

1. Você considera mais importante o investimento na criação da máquina do tempo ou no telestransporte?
No teletransporte. Já não basta esse mundo de pós-verdade e mentiras compartilhadas como verdades, não quero nem admito que possamos retornar ao passado e bagunçar tudo aquilo que já está feito. Causa e consequência, jamais se esqueçam disso. Já o teletransporte ajuda, principalmente para pessoas que, como eu, tomam 4 conduções para ir, 4 para voltar, dando um total de 5, 6 horas diárias só andando de Leste a Sul, de Sul a Leste.

2. Baseado na atual situação do Brasil, se tivesse a oportunidade iria para outro país? Se sim, qual?
Chile. Não me perguntem o motivo. Todo mundo que eu conheço iria para o Uruguai, mas o Chile, país do qual não sei absolutamente nada além de neve, deserto e Pablo Neruda, me chama quase que como ritualisticamente.

3. O que você diria para seu eu do passado?
(quando respondi em 2018) Economize. Escolha outra profissão. Se lembre que todo trabalho é um trabalho. Ruim é ter que trabalhar.
(respondendo em 2019) Não seja leviana em relacionamentos, porque tudo o que vai, volta. Diga mais nãos, e menos sims.

4. Qual foi a situação mais bonita que você já presenciou?
Eu não me lembro. Mas deve ter a ver com crianças, com constatações, com trabalhadores. Ou não, é muito difícil pensar em algo mais bonito tendo vivido 26 anos.

5. O que pode ser o pior defeito de uma pessoa?
O fascismo.

6. Com quantos paus se faz uma canoa?
Um tronco de árvore, que acredito que seja um pau só.

7. Se você pudesse ser invisível por um dia, o que faria?
Cometeria vinganças. Brincadeira, mas é verdade.

8. Qual seu chocolate preferido?
Amargo e/ou com avelã.

9. Você concorda com o Thanos? (eu não desisto desse tema)
Eu não assisti 😔

10. O que uma pessoa deve ter/ser/fazer para te conquistar?
Pra me conquistar você tem que rebolar: tem que ser uma pessoa justa, libertária, proletária, curiosa, política e humilde. Ter indignação pelos crimes contra a humanidade. Fazer chamego e dengo, mas não muito porque detesto gente subserviente, gosto de certo desinteresse, ou interesse e aproximação em momentos de interesse e aproximação.


11. Qual é a sua viagem dos sonhos?
(quando respondi em 2018) Eu diria Pompeia e Herculano, mas não sei exatamente. Na verdade minha viagem dos sonhos era ir para lugares históricos com 0 outros turistas presentes no mesmo momento que eu. Queria pura paz, sossego, tranquilidade e solitude. Impossível para um mundo como o que vivemos.
(respondendo em 2019) Conhecer cada centímetro quadrado da minha eterna Paraíba.

Minhas 11 perguntas (as mesmas nos três posts)

1. Como você lida com situações de ansiedade, caso tenha? O que te acalma?
2. Como organiza seus estudos? Utiliza apps, programas, ou é tudo manual?
3. Que atividade você faz para se desligar do mundo?
4. Qual seu sabor de chá favorito?
5. Prefere filmes únicos ou trilogias?
6. Há algum livro clássico que te cativou? Diga qual.
7. Sente saudade de algo do tempo da escola? O quê?
8. Aprecia momentos de solitude?
9. O que é se apaixonar, na sua concepção?
10. Você acredita que a humanidade vá evoluir para algo melhor?
11. Se você fosse outro ser vivo na face da terra, qual ser vivo seria? (Não precisa ser apenas do reino animal)

Se fizer me avisa, tá? Qualquer pessoa pode chegar e responder.