Atenção! Agora os comentários do blog são via disqus. Eu utilizava o modelo mínima ♥ (não se faz mais templates como antigamente), mas estava dando bug no ato de responder comentários. Mudei para o modelo simples (vocês já perceberam que esses templates grátis são todos iguais? Deus me livre), e deixei o mais simples possível. Daí movimentei meu disqus e vi que tem algo novo e legal, como as reações e os gifs, que são a melhor invenção da internet. Então aproveitem! Qualquer erro, call me!

17 de fev de 2019

A suave pantera

[...] *

A fome de um bicho
– e mais se é pantera,
não tem o limite
que em gente tivera.

Não é como a fome
violenta, direta,
subjetiva, do homem,
a fome da fera.
A fome de um bicho
é cruel e eterna,

e toda inconsciente,
com uma força interna.
É fome indistinta
espalhada nela,
com íntima fúria
que ela não governa.

A liberdade da pantera
está justamente nisto:
que nem ela se governa,

e o que sucede é imprevisto.
Essa a vantagem da fera:
uma força que ela abriga,
inconsciente, dentro dela
– sob a aparência tranqüila –
e de repente se revela,

mas uma espécie de fúria,
que atinge inclusive a ela,
mas numa espécie de luta,
que é o modo que tem a cólera
de mostrar-se numa fera,
e que é a sua única forma
de ser pura, além de bela.


Além de precisa é ubíqua,
outra vantagem mais forte.
Por toda parte é sensível
sua graça, como um broche,
ou como coisa pousada
e em si mesma repentina:
os olhos onde violetas
cobram cores agressivas,
a cauda suspensa e lisa
como nuvem sossegada,
não solta, não qualquer nuvem,
nuvem presa como uma asa,
o corpo todo concreto,
todo animal, perecível,
e mais uma ânsia por dentro,
de ser livre, livre, livre.


Marly de Oliveira, 1960 [1]


* Leia completo: A suave pantera
1. Marly de Oliveira (1935-2007), poetisa de Cachoeiro de Itapemirim - ES. Professora de língua e literatura italiana, e literatura hispano-americana. Vencedora do Prêmio Jabuti de 1998. E ex-mulher de João Cabral de Melo Neto.

11 de fev de 2019

Vaza, fia!

Acabo de constatar por A+B o que engatilha minha ansiedade. É aquilo que alguns dizem que torna o homem digno e nobre.

Mas estou num momento de profundo desapego e luta pelo poder pessoal, de reconciliação com minha mulher selvagem, em lembrar que na vida tudo que é vivo, morre e também é nela que para tudo dá-se um jeito, menos para a morte.

Às vezes eu quero gritar e arrancar meus olhos úmidos das órbitas, às vezes eu quero amaldiçoar as pessoas e todas suas gerações anteriores e posteriores, às vezes quero sair de casa e nunca mais voltar, chegar em algum lugar com outro nome, completamente desconhecida... Às vezes quero chorar sem motivo, às vezes crio situações na minha cabeça onde tenho que me defender como um bicho ferido, onde culpo o outro por essa ferida, que nem deveria ser uma ferida, apenas um arranhãozinho de nada. Às vezes, tanta coisa.

Mas estou conseguindo dar passos, cambaleantes, mas passos. No meu torto caminho, onde eu digo os sims e os nãos, sem aquela ingenuidade de sempre ajudar, sempre ter tempo, sempre tudo para o outro e nada para mim.

Esse post é um lembrete para mim mesma e um desabafo, para eu, nessas ocasiões de estresse, ir lá na cara da minha ansiedade e dizer: vaza, fia! ha-ha-ha!

27 de jan de 2019

Sunshine blogger award pt. 3

Leia a parte 1 aqui e a parte 2 aqui
Chega ao fim minha trilogia dessa tag, com perguntas da Ana! Isso está pronto desde as eleições, mas eu queria ter um post na manga para momentos como esse, que quero postar mas não sei o que.

1. Você considera mais importante o investimento na criação da máquina do tempo ou no telestransporte?
No teletransporte. Já não basta esse mundo de pós-verdade e mentiras compartilhadas como verdades, não quero nem admito que possamos retornar ao passado e bagunçar tudo aquilo que já está feito. Causa e consequência, jamais se esqueçam disso. Já o teletransporte ajuda, principalmente para pessoas que, como eu, tomam 4 conduções para ir, 4 para voltar, dando um total de 5, 6 horas diárias só andando de Leste a Sul, de Sul a Leste.

2. Baseado na atual situação do Brasil, se tivesse a oportunidade iria para outro país? Se sim, qual?
Chile. Não me perguntem o motivo. Todo mundo que eu conheço iria para o Uruguai, mas o Chile, país do qual não sei absolutamente nada além de neve, deserto e Pablo Neruda, me chama quase que como ritualisticamente.

3. O que você diria para seu eu do passado?
(quando respondi em 2018) Economize. Escolha outra profissão. Se lembre que todo trabalho é um trabalho. Ruim é ter que trabalhar.
(respondendo em 2019) Não seja leviana em relacionamentos, porque tudo o que vai, volta. Diga mais nãos, e menos sims.

4. Qual foi a situação mais bonita que você já presenciou?
Eu não me lembro. Mas deve ter a ver com crianças, com constatações, com trabalhadores. Ou não, é muito difícil pensar em algo mais bonito tendo vivido 26 anos.

5. O que pode ser o pior defeito de uma pessoa?
O fascismo.

6. Com quantos paus se faz uma canoa?
Um tronco de árvore, que acredito que seja um pau só.

7. Se você pudesse ser invisível por um dia, o que faria?
Cometeria vinganças. Brincadeira, mas é verdade.

8. Qual seu chocolate preferido?
Amargo e/ou com avelã.

9. Você concorda com o Thanos? (eu não desisto desse tema)
Eu não assisti 😔

10. O que uma pessoa deve ter/ser/fazer para te conquistar?
Pra me conquistar você tem que rebolar: tem que ser uma pessoa justa, libertária, proletária, curiosa, política e humilde. Ter indignação pelos crimes contra a humanidade. Fazer chamego e dengo, mas não muito porque detesto gente subserviente, gosto de certo desinteresse, ou interesse e aproximação em momentos de interesse e aproximação.


11. Qual é a sua viagem dos sonhos?
(quando respondi em 2018) Eu diria Pompeia e Herculano, mas não sei exatamente. Na verdade minha viagem dos sonhos era ir para lugares históricos com 0 outros turistas presentes no mesmo momento que eu. Queria pura paz, sossego, tranquilidade e solitude. Impossível para um mundo como o que vivemos.
(respondendo em 2019) Conhecer cada centímetro quadrado da minha eterna Paraíba.

Minhas 11 perguntas (as mesmas nos três posts)

1. Como você lida com situações de ansiedade, caso tenha? O que te acalma?
2. Como organiza seus estudos? Utiliza apps, programas, ou é tudo manual?
3. Que atividade você faz para se desligar do mundo?
4. Qual seu sabor de chá favorito?
5. Prefere filmes únicos ou trilogias?
6. Há algum livro clássico que te cativou? Diga qual.
7. Sente saudade de algo do tempo da escola? O quê?
8. Aprecia momentos de solitude?
9. O que é se apaixonar, na sua concepção?
10. Você acredita que a humanidade vá evoluir para algo melhor?
11. Se você fosse outro ser vivo na face da terra, qual ser vivo seria? (Não precisa ser apenas do reino animal)

Se fizer me avisa, tá? Qualquer pessoa pode chegar e responder.

13 de jan de 2019

O que nasceu na Grécia foi o Teatro... Grego

Para dar um breve ar da graça nesse ano que se inicia, eu vou copiar o vídeo publicado em livroecafe.com também esse ano. Fiquei feliz por ser o paraibano Ariano Suassuna, e mais feliz ainda por seu primeiro argumento artístico ser justo a Pedra do Ingá, que tive o imenso prazer de conhecer nessa minha viagem à Paraíba, no final do ano passado. Com esse vídeo, nem precisa de post. E, sobre a viagem, eu pretendo documentar tudinho aqui!