28 de jul de 2018

14. A saucerful of secrets

Vocês sabem o que é um codicilo? Este post tem a intenção de ser um codicilo. Estou com ele em mente desde janeiro, mas coisas ruins aconteceram, e eu achei que talvez, se postasse na época, poderia ser um presságio e, Deus me livre ser tão cedo assim. Resultados negativos positivos, estou aqui firme e forte para poder palavrear bastante ainda.

Pois então. Não acredito em matrimônio, tanto pelos motivos já apresentados por qualquer pessoa com base em suas próprias ideologias e filosofias de vida, como também por minhas questões pessoais que só Freud explica. O que não significa que eu não queira ter alguém ou alguéns, ou mesmo ninguém.

A minha última formatura na escola foi em 1999. Eu tinha 7 anos e fui oradora de turma. Foi, inclusive, o mesmo ano em que quis levar enxadas para a escola e destruir suas estruturas. A professora Estela brigou comigo naquele dia e, meses depois, chorei de saudade dela. Abri o berreiro mesmo. Depois disso, jamais quis ter formaturas, fosse de Ensino Fundamental, Médio, ou mesmo Faculdade. Mas nem foi por Professora Estela. É por ser ridículo, falso, uma encenação de quinta categoria. Um devaneio, um sonho de uma noite de verão. Tenho tanto asco por formaturas, que peguei meu diploma da universidade muitos meses depois de minha turma, porque preferi colar grau em gabinete - o que ainda é absolutamente ridículo, as pessoas fazem juramentos que sequer cogitarão cumprir em algum dia de suas vidas miseráveis.

Assim também fui com aniversários. No lugar de uma festa de 15 anos, brega em todas as suas possibilidades, falei brincando que queria um violão e o ganhei. Se eu sei tocar esse violão que recebi há 11 anos? Isso é pergunta que se faça? Claro que eu não sei. Até tenho minhas festinhas surpresa, meus Brasis perdendo a Copa ofuscando todo o meu brilho perante aos homens amantes de futebol, mas eu, montar um aniversário, gastando meu dinheiro para convidar pessoas, que convidarão pessoas, com bolos ruins e cheiro de cerveja? Não, meu amor. Me dá um litro de Rainha e muitos abraços gostosos que eu ganho mais.

Enfim. Muitos são os eventos criados pela humanidade para fingir que está tudo bem e que a união é de quereres recíprocos, quando na verdade o que existe é desprezo, avareza e soberba. Tudo é uma questão de poder. Fujo de quase todos eles. Festas de aniversário, festas de formatura, festas de casamento... Mas existe um único evento, comum a todos nós, no qual jamais poderemos faltar. Não adianta a nossa preferência, se os convidados comparecerão. Esse dia sempre chega. Já que - graças a Deus - é inevitável, transferi o propósito do 14º dia dessa minha jornada no 30 day music challenge para algo que com certeza eu tenho que pensar em organizar. Portanto, segue abaixo a música que escolhi para o meu casamento velório.


Antes de vocês se deliciarem com a música do Pink Floyd que mais ouvi em minha vida, segundo minha last.fm, preciso falar meus motivos. Me lembro de comentar com minha amiga Céu sobre essa música, e ela fala que sente uma coisa ruim com ela, ou algo assim. Eu também sinto esse algo, mas não é ruim, é apenas minha alma se rasgando todinha.

A música, que fala sobre guerra e suas consequências, se divide em quatro partes: "Something Else" (0'00") - a configuração da batalha, "Syncopated Pandemonium" (3'57") - a batalha em si, "Storm Signal" (7'16") - a visão dos mortos após o final da batalha, "Celestial Voices" (10'14") - o luto dos mortos. Nela contêm os seguintes instrumentos, listados por ordem de importância: piano, órgão Hammond, órgão Farfisa, mellotron, vibrafone (versão de estúdio), baixo, slide guitar, percussão, bateria e prato.

Nunca fui publicamente religiosa, mas particularmente eu com certeza sou. Já soltei por aí que para mim Deus é o vento que balança as árvores e o silêncio que envolve a terra (ou seja, meu Deus está para morrer). Para mim músicas com órgão e slide guitar seriam a voz de Deus. Bem assim, carola ou beata, como você preferir. Existem estudos sobre música apolínea e dionisíaca; creio que essa música seja o equilíbrio das duas vertentes. Não foi baseada em Guerra e Paz, como The Gates of Delirium do Yes, mas me dá a sensação de guerra e paz comigo mesma.

Esta música é a única coisa deste mundo que me adormece o corpo e desperta a alma. Então, como não escolhê-la para embalar meus ossos que comporão a terra, e servir de poslúdio para minha vida?

14. a song that you would love played at you wedding funeral (uma música que você amaria que tocasse em seu casamento velório)
Dedico aos 75 anos de Richard William Wright, completados hoje, e aos 50 anos desta canção, neste ano de 2018.

O vento de Pompéia nos cabelos da alma do Pink Floyd

3 comentários:

  1. fui pego de surpresa pelo primeiro parágrafo desse post rs
    é interessante a maneira como tu propõem a evasão dessas convenções sensacionais de comemorações, eu nunca tive ânimo ou interesse sequer pra comprar um bolo de aniversário... as vibes são outras. pois... a escolha do som foi profunda, mas conhecendo pouco como te conheço fuçando cá e lá, pink floyd de fato para a trilha apropriada pra geral que mergulha tão fundo nas entrelinhas.

    vou dar play, enquanto isso, passe bem
    xoxo

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  2. Conheço essa do Pink Floyd <3 Mas confesso que sinto o mesmo que tua amiga: sentimento de bad, sabe?
    Não sabia que tinha uma música baseada nesse romance do Tolstói. :) Achei interessante.

    Puts, que história essa sua a da formatura. Não imagino como foi. Confesso que não gosto muito de casamentos, mas meus amigos que casaram estavam tão feliz que não pude deixar de sentir felicidade por eles, também. E e unão sei como é uma formatura de universidade ainda. Então não sei opinar, mas a de ensino médio foi bem broxante pra mim, hahaha.
    :*

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  3. Eu acho libertador aquele grito final do Gilmour com os cabelos na cara em Pompeia.

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