devaneios repletos de referências e inúmeras playlists, porque a graça da vida é essa

eternamente grávida de ideias

Helen: eu gosto de escrever. Mas acho brega perfil em 3ª pessoa. Porque eu sou eu. Tenho quase 27, me divido entre São Paulo e Paraíba, presente e passado. Gosto de ler, ouvir, assistir. E cito tudo o que conheci em conversas e apresentações, mesmo que aparentemente não faça sentido.
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21 de jan de 2018

Wes Anderson's The life aquatic with Steve Zissou (2004)


Muitas vezes o coração / Não consegue compreender / O que a mente não faz questão / Nem tem forças pra obedecer


Quantos sonhos já destruí / E deixei escapar das mãos / Se o futuro assim permitir / Não pretendo viver em vão

Meu xará Chris compreende minha ligação com este filme
Meu amor não estamos sós / Tem um mundo a esperar por nós / No infinito do céu azul / Pode ter vida em Marte


Então, vem cá me dá a sua língua / Então vem, eu quero abraçar você / Seu poder vem do sol / Minha medida


Meu bem, vamos viver a vida / Então vem, senão eu vou perder quem sou / Vou querer me mudar para uma life on mars



18 de jan de 2018

Chove chuva, na terra da garoa

Texto escrito em 27 set. 2014 - quase quatro anos (!) nos rascunhos. Achei que era a caminho do curso Técnico em Museologia, mas era um sábado, portanto passeio.*


Depois de não sei quanto tempo está chovendo em São Paulo. Quem diria que a cidade conhecida como terra da garoa um dia viveria escassez. E viveria num momento conturbado: eleições. E que provavelmente reelegerá o principal culpado pela seca na Cantareira - dica: não é São Pedro.
 
Pelas gotas e vapor que embaçam a janela do ônibus (sim, estou em um) vejo luzes de carros, postes e estabelecimentos que, desse ângulo e a essa hora do anoitecer me remetem tempos que não vivi. Tempo em que de fato garoava (16'40") e que, por causa das diversas homenagens videográficas espalhadas pelo Brasil, eu imagino sempre com um Adoniran Barbosa cantando ao fundo.

 
Uma são Paulo que, ainda que conservadora, dói menos de imaginar, dá até pra perdoar, porque era jovem. Mas o tempo passa e o conservadorismo só piora¹ e fica gagá com suas teorias da conspiração que são mais fáceis de acreditar do que a realidade. Ou outra realidade que não essa. 

Uma São Paulo Antiga, com tantos mistérios e acontecimentos cotidianos anônimos, boas notícias escondidas dos grandes jornais e expostas nas páginas mais corajosas.

Eu gosto de ver as padarias de esquina, o pessoal do meu bairro, sejam adolescentes do passinho, senhoras da Igreja, senhores do forró adaptado longe da origem, num barzinho simpático com karaokê. Cães que olham para os lados antes de atravessar, gatos nos muros das casas, galinhas dangola idem, beliscando fios de alta tensão. Aqui tem um mundo e mil histórias - menos água. Espero que chova mais, para clarear as ideias e saciar sedes.

Desenhei um porco na janela. 21 ago. 2017.

* Links e material audiovisual acrescentados em 18 jan. 2018.
¹ Por acaso havia um texto na mesma data do rascunho falando justamente do paulistano conservador.

15 de jan de 2018

Oh time, do as I wish

Eu fico me perguntando se, anualmente, a gente passa a repetir coisas que já fez, inconscientemente. Com a ferramenta on this day do facebook é possível, pelo menos pra mim, perceber certos padrões. Por exemplo: ouvir aquela música no dia 15 de novembro de 2017 e ela estar lá postada no mesmo dia em 2013. Já aconteceu com conhecidos: Fulana ligou para Beltrana, que contou no telefone "nossa, Fulana, o facebook me lembrou que nos vimos há exatamente dois anos! E eu estava com a mesma blusa que estou hoje!", e a Fulana recebe a fotografia via whatsapp e percebe que o corte de cabelo "radical" que ela fez há alguns dias é exatamente do tamanho e cor do cabelo dela naquela data anterior. Sim, aconteceu mais ou menos assim.

Hoje aconteceu de eu ter postado, há dois anos, o queridão Seu Jorge cantando Bowie em The life aquatic with Steve Zissou. Acontece que senti nostalgia de assistir esse filme na semana passada. E, aliás, eu postei Let's Dance no aniversário do Bowie simplesmente porque deu vontade, não por saber de seu aniversário - que eu não sabia.

Não é aquela coisa meio 1984 que o dispositivo "escuta" e "lê" o que você diz aos outros perto ou no aparelho e seleciona propagandas que condizem com suas conversas. É algo de uma vontade interior, que parece que funciona como A coisa ou Os olhos famintos, que têm um período específico a cada n anos para aparecer. Talvez seja pela questão cíclica da vida, e eu volto a salientar que sim, uma virada de ano faz diferença e calendários não são algo apenas imposto para a nossa sociedade como objeto de poder através dos séculos, mas algo também sentido física e psicologicamente, se pensarmos na rotação e translação da terra, as quatro estações, os feriados, o tanto de tempo que estamos trabalhando sem folga, etc. Mesmo se estivéssemos fora de qualquer sistema socio-político urbanizado e sedentarizado, ainda sentiríamos as fases da lua e os tempos de plantio e colheita, enfim.

Antonio Lucio Vivaldi -  Le Quattro Stagioni (The Four Seasons) Violin Solo, Federico Agostini, I Musici, 1988.¹
O tempo do calendário é totalmente social, mas submetido aos ritmos do universo.
Jacques Le Goff, p. 420*
Este é apenas um texto despretensioso sobre o tempo, e que vou aproveitar para indicar coisas. Estou me coçando para entrar em questões históricas e de déjà vu, mas aí eu precisaria (preciso!) juntar textos e informações e, quem sabe, montar um artigozinho independente (me prometo isso desde 2013; por favor, 2018, me ajude a concretizar esse quase-sonho!)

Livros
Filmes
Música

Mais duas citações abaixo, com grifo meu.
Seria absolutamente falso e parcial limitar as relações do calendário com o Sol e a Lua a estes cálculos e reformas, apesar da grande complexidade dos fatores que entram em jogo. Se estes "luminares dos céus" presidiram à criação e à ação dos calendários, é porque inspiravam à humanidade sentimentos que iam muito além de uma simples observação científica e utilitária. 
Jacques Le Goff, p. 434*
[...]o ano é sobretudo um ciclo completo de morte e de renascimento: se existem festas ligadas ao fim do ano, o grande problema, visto o simbolismo que encerra, é o da data do Ano Novo. Esta data está geralmente ligada ao ciclo vegetal e lunar.
Jacques Le Goff, p. 437*
E agora, é como diz a música: o tempo passou, a música acabou, eu pensei que tinha algo mais a dizer.

¹ Esta interpretação de As quatro estações é clássica justamente porque é maravilhosa.
² "Had Seu Jorge not recorded my songs in Portuguese, I would never have heard this new level of beauty which he has imbued them with.” - David Bowie
* Paginação referente ao conteúdo digitalizado. A versão em papel possui outra numeração.

9 de jan de 2018

16. Don't you (forget about me)

Deixei de responder muitos questionários, tags e memes da internet porque levava a coisa tão a sério que tinha que descobrir, quando perguntada, o que realmente era A coisa favorita DE TODAS sobre aquele tema. Mas existe uma máxima sobre o tempo. Vou escrever no próximo parágrafo só para enfatizar.

A coisa boa do tempo (e ruim também, dependendo do contexto) é que a gente se cansa. Isso serve para muita coisa.

O tempo não só passa. De que adianta o tempo passar e nada mudar, não é mesmo? Não sei, estou pensando agora. Em momentos de desespero, sempre existem aqueles conselheiros ma-ra-vi-lho-sos e súpêr pertinentes (mêo!) que dizem assim: "tudo na vida passa". Olha, mas que legal, obrigada, desligou meu desespero assim, num click, porque tudo na vida passa então meu drama mexicano Soraya Montenegro só aconteceu porque eu não tive a brilhante ideia de pensar que o tempo passa. A pessoa que diz isso não está errada, de forma alguma. É o modo que ela aconselha que me irrita. É sempre um ar de superioridade pseudo-sábia arrogante que me dá nos nervos. Mas não era isso o que eu ia dizer, perco o controle dos pensamentos quando lembro de conselhos. Odeio conselhos. A menos que eu peça e a pessoa tenha um modo humilde de querer me ajudar, e não só pretenda ser humilde ou pretenda querer me ajudar. Se é que dá para entender.

O tempo passa e a gente se cansa. É isso aí. Cansei de muitas coisas em relação a seres humanos. Perdi muito a paciência, que já era escassa, com algumas coisas e simplesmente me cansei de outras, tanto faz como tanto fez.

Então eu cansei de querer ser séria em momentos que, bem, foda-se.

Uma das minhas 𝜋 músicas favoritas de um filme é uma música que acompanhou bem meu 2017 porque ele foi muito pós-punk. Puxa, puxa, que puxa, recontrapuxa, que ano punk foi o ano passado. Eu tive que dançar músicas tristes dos anos 80 indo ao trabalho para poder me aguentar e aguentar os outros.

Então eu estava aqui, no dia em que voltei de viagem, triste à beça, me perguntando o que ainda faço nesta região do Brasil, quando decidi ver um filme naquele serviço de streaming de filmes que pretende ser cool, mas não passa de mais uma empresa capitalista que engana a nós, jovens. Achei um terror espanhol, e como já vi outro terror espanhol bom demais nesse mesmo site, pensei why not? Não recomendo. Então quando acabou esse fui ver minha lista e vi lá aquele filme que-todo-mundo-adora daquele diretor que é realmente-ótimo-pena-que-morreu. Acho que nunca havia visto na tevê.

Nos primeiros cinco minutos eu pensei "meu deus do céu minha música", "nossa o mesmo cenário daquele outro filme" e "nossa é isso que a juventude ama e idolatra? será mais um Pulp Fiction em minha vida?*" e depois "meu deus que meninos bonitos" e "que menina linda e fofa" e "CARL, não posso esquecer desse nome", entre outras coisas.

Mas é isso. Breakfast Club vale a pena demais. Não é noOooOssa, e são várias questões, mas os filmes de jovens dos anos oitenta não decepcionam (como os atuais). Sim, vale a pena enchermos nossos tumblrs com gifs das dancinhas, dos óculos maneiros, dos cheiros que a patricinha dá no cangote do menino rebelde que guarda coisas ilícitas no armário e não tem paciência para a hipocrisia do mundo (o que me lembra ~momentos~), etc.

Ainda bem que o Judd Nelson tinha 26 anos à época do filme e eu total posso ter um crush nesse neném. Benza-te-Deus, meu filho.
E sabe o que vale muito a pena também? O Carl. Que homem.

Na verdade o John Lennon é o menos legal - o nada legal - dos Beatles, é que o gif que eu queria não existe. Mas esse zelador é bonito demais
Mas o desafio não é falar dos adolescentes em detenção odiando (com razão) o mundo adulto e suas injustiças. É falar de:

16. one of your favorite songs from a movie (uma de suas músicas favoritas de um filme)

Não tenho muito o que dizer sobre essa música ou sobre o Simple Minds, que quase nada ouço como banda num geral, apenas posso dizer que esse uuuuuh uuooÔh impacta o mais profundo do meu útero, por assim dizer.


Antes de ir embora eu preciso postar mais um gif porque, assim, mulheres que chegam chegando beijando no cangote merecem destaque, porque ô coisa boa é um cangote meu deus do céu.

"Só vai, garota" (conselho para mim mesma)
Agora vá lá ver um filme de adolescentes bacana para se divertir um pouquinho neste meio de semana, porque se você mora no sudeste do Brasil, rain keeps falling e ver filmes simpáticos deitada com o cobertor até a cabeça é bom demais.
Don't you try and pretend
It's my beginning
We'll win in the end
I won't harm you
Or touch your defenses
Vanity, insecurity
Don't you forget about me
I'll be alone dancing, you know it, baby

* Pulp Fiction, o famigerado filme que eu detestei (mas estou seriamente pensando em rever para 1: ou mudar meu conceito 2: ou arranjar elementos para provar porque ele é ruim e Kill Bill Vol. 1 é imbatível, se você for pensar nos trabalhos do tal do Quentin Tarantino).

Ah! Leia mais textos do meu 30 day music challenge.

8 de jan de 2018

Chega dançar

Não gosto desse discurso de positividade porque acredito na força da boa surpresa após momentos de pessimismo - esta é minha maior tática 😉 - mas quero começar meu 2018 diferentemente de 2017, então bora dançar com essa música que me lembra momentos GOSTOSOS do passado recente, meus chapas!

If you say run, I'll run with you / If you say hide, we'll hide / Because my love for you / Would break my heart in two / If you should fall / Into my arms / And tremble like a flower

Aô Davidão bom da moléstia! 🗲
Let's dance! Put on your red shoes and dance [the blues]

* Mas a melhor música dele mesmo é esta aqui.