22 de ago de 2016

TAG: Música clássica na literatura

A Mia lembrou de mim com esta tag e fiquei muito contente, porque foi um dos gêneros musicais que gostei sozinha primeiro, por ter costume de assistir desenhos animados antigos, e por algum sem noção quase ter jogado fora uma coleção quase completa da Caras de clássicos, que meu tio (que era porteiro do prédio dessa pessoa) acabou me presenteando lá pelos 9 anos.

Vou comentar também algumas das músicas e sugerir outras; a playlist no final.


1. As Quatro estações - Vivaldi - Um livro com muitas oscilações no enredo

Agatha Christie sempre me traz oscilações. Muitos com orgulho e vaidade comentam por aí que ela é previsível e já se sabe o assassino antes da metade do livro. Nunca acertei nenhum, e é por isso que gosto tanto dela, fora as descrições de espaço, personalidade e comidas. O último que li foi A casa no penhasco, e não esperava por aquele fim, por mais que me fosse familiar de algum modo. Detalhe: não imagino Hercule Poirot um senhorzinho baixinho metódico. Imagino isso daqui (que é o Dorian Gray também, porque pra mim ele não é loiro nem que Oscar Wilde me apontasse uma arma na cabeça, nem o Ben Barnes porque ele não surte efeito nenhum em mim).

não encontrei autor original do gif.

Sobre Vivaldi, coloquei na playlist minha versão favorita que é I Musici, de 1988. Eu sempre morri de medo dessas máscaras do carnaval em Veneza, mas agora amo e tenho até anel no estilo. Mas é amor com medinho.

2. Sonata ao Luar - Beethoven | Um livro que te deixa triste/melancólico

Notas do subsolo do Dostoiévski me deixou muito mal. Outros livros me agoniaram, mas esse eu senti que era eu. Aquilo tudo de provar para si mesmo, de estragar momentos, essa ansiedade toda e esse monólogo mental, isso é meu cotidiano. Em casa, na rua, no metrô, no trabalho. E principalmente com pessoas de outras classes sociais, em eventos cheio de não-me-toques. Ele e Kafka eu leio como se estivesse correndo, ofegante, desesperada. E isso é um baita elogio!

Nunca percebi essa música como sendo algo triste, depois dessa tag fiquei bem impressionada.

3. Totentanz - Franz Liszt - Um livro que você tenha medo de ler/reler

O tomo II de A filosofia da miséria de Proudhon. Porque eu já não lembro do tomo I e tenho medo de reler tudo aquilo para dar continuidade, ou pior: de ler e não entender. E preciso ler logo para conhecer a devolutiva de Marx, que é A miséria da filosofia.

Não é à toa que Liszt tem um sz no nome. É lindo e um pianistão da porra. Primeiro contato foi claramente a Rapsódia Húngara nº2 naquele episódio do Pica-Pau refém de um ladrão em fuga. São 19, e tem no spotify. Ele ser sogro do Wagner, que foi inspiração e desgosto de Nietzsche foi um babado. Não sabia, só relacionava Nietzsche e Liszt porque sabia que um nome formava um coração e outro seu contrário, risos.

4. A Midsummer Night's Dream - Wedding March - Mendelssohn - Um livro com um casal inspirador

Vendo os livros que marquei como lidos no skoob, descobri que não tenho casais inspiradores, porque o romantismo só tem desgraças, o realismo desgraças reais, e não lembro de um casal feliz. Gostei muito de O crime do Padre Amaro, mas não é um casal inspirador, muito pelo contrário. Único casal que me lembro está no mangá: Serena e Darien (Mamoru) de Sailor Moon. Li recentemente O conto da ilha desconhecida do José Saramago, e o homem e a moça me fizeram ler esse livro em minutos. E tem José Arcadio Buendia e Rebeca, de Cem anos de solidão. Todos casais não convencionais. Ou reais ou irreais demais, nunca com o coração apaziguado.

Curiosidade: detesto essa música desde que passei a detestar cerimônias de casamento, e foi a que mais me deu opções. Mas eu gosto dessa daqui.


5. Flight of the bumblebee - Korsakov - Um livro/leitura irritante

Repouso Absoluto de Sarah Bilston. Achei em algum site de e-books, querendo ler coisas "atuais". É uma merda, simplesmente. Nem terminei. Coisas que não aturo (ou não aturo mais): Paulo Coelho, histórias de pessoas executivas com uma vida "difícil", mimadas, no estilo classe média sofre. É muito raro eu gostar de livros atuais, ainda mais os estadunidenses (a autora e a personagem são britânicas, mas quero falar mal dos ianques). Do mesmo modo me arrependo de ter lido Marley e Eu, não pela história mas pelo ambiente, pelo modo de vida etc. no maior estilo revista Seleções (você ficaria enojada(o) se soubesse os motivos por trás desta revista), e me arrependo de ter lido O pequeno príncipe, porque como a Mia e o Pe. Fábio de Melo (risos) destacam, eu não quero nem que alguém se sinta responsável por mim (isso se chama posse) nem quero me responsabilizar por ninguém (essa parte aprendi a duras penas com minha irmã, e não quero desaprender; fora que uma vida só já dá bastante preguiça de gerenciar).

Nunca tive acesso direto a essa música porque não sabia o nome. Quando soube que era russa amei três vezes mais. Korsakov é pré revolução bolchevique, mas tá ótimo.

6. Requiem - Mozart - Um livro que você não concluiu e se arrepende por isso

Bandidos, do Eric Hobsbawm. Esse livro é ultra necessário, porque além de lembrar que bandido e ladrão não são sinônimos, ele cita o cangaço, que é uma paixão minha desde os cinco anos de idade. Pretendo fazer muitos textos que com certeza terão este como fonte, então ter parado ele me deu certa tristeza. Mas está na estante então tudo bem.

Assistam Amadeus. Quando chegarem na cena Confutatis maledictis lembrem de mim. Se gostarem, assistam A flauta mágica, de Ingmar Bergman. Se não gostarem, ainda assistam. Fui uma vez numa missa no mosteiro de S. Bento (sou católica não praticante, mas as missas naquela igreja bizantina são um túnel do tempo direto para o século XIV) e o folheto era todo nessa ordem (requiem é missa para os mortos), com música tocada no órgão. Sente o drama. Até sendo ateia/ateu, vale a pena dar uma averiguada pra compreender o motivo desse tipo de música existir. E não esqueçam dos filmes.

7. Morning Good - Edvard Grieg - Um livro com um ambiente agradável


A cidade e as serras, do Eça de Queirós. Li para tentar ser menos fiasco na Fuvest (não deu certo), e me apaixonei. Tanto a cidade sendo industrializada ao final do século XIX como a saudade do campo, do interior, e as questões políticas, as descrições (que muita gente detesta, eu acho), me deixam apaixonada. Para vocês terem uma ideia, li esse livro em 2010 e ainda me lembro dum banquete que tinha peixe no meio do livro. Totalmente prescindível da história, mas tão bem detalhado que eu quase senti o gosto.

Me lembro com essa música de A turma do Didi aos domingos, e os filmes da Barbie aos sábados. E meu desenho favorito: Sam and Ralph (não sei o nome do desenho direito, mas Sam é o cão pastor e Ralph o lobo - ele não é o Coiote do Papa-Léguas - que têm como emprego cuidar e roubar ovelhas, respectivamente; são amigos até baterem o ponto, viram inimigos, e ao final do dia amigos de novo). Agora me dei conta da semelhança com A revolução dos bichos e quero gritar de alegria. Vai ter post só, deles, claro.

8. Pedro e o Lobo - Prokofiev - Uma história infantil encantadora

Os Colegas, da Lygia Bojunga. Meu primeiro livro e primeira leitura, com uns cinco anos, certamente. reli tantas vezes como nunca fiz com qualquer outro. Mas acontece que emprestei na 6ª série e nunca mais vi. Juram que me devolveram, mas esse livro (e aquela edição...) é tão minha felicidade clandestina que não é possível que recebi e não me lembro.

Eu tenho uma história sobre essa música. Eu tenho um romance com Sergei Prokofiev, que é da URSS, CCCP, USSR, como preferirem. Mas isso está num rascunho há meses, então me aguardem com essa bomba enquanto apreciam Pedro e o Lobo com narração na playlist, e minha querida Dance of knights.

1 comentários:

  1. Amo tanto Amadeus que o layout da representação de Don Giovanni é minha capa de fb. Sou completamente apaixonada pelo Mozart, nem tem como não ser. ♥

    Lembro de que quando li Notas do Subsolo fiquei beeeeeeeem tensa por alguns dias. Me reconheci de imediato. Estava no ensino médio ainda, foi meu primeiro contato com Dostoiévski e foi pesado. Mas é o tipo de leitura que te marca a alma, de alguma forma. E, por isso mesmo, por mais que o sentimento seja forte - de uma forma quase "negativa", por seu peso -, ainda assim é maravilhosa.

    MORTE AO PEQUENO PRÍNCIPE o/

    Eu tô tentando comentar isto aqui há dias, mas entro numa espiral de distorção do tempo ao clicar na playlist, SOCORRO!

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