17 de ago de 2016

Animal Farm - a fairy story

Hoje por um acaso descobri que é aniversário (71 anos) de A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Então vou contar rapidamente o motivo de esta ser uma data importante pra caramba na minha vida, e no que me rodeia, ok?

Meu primeiro contato com essa história foi no ensino médio. Provavelmente numa aula vaga, algum(a) professor(a) - desconfio quais, mas não me lembro exatamente quem - decidiu que era hora de passar um filme de 1999 (detalhe que o filme é uma visão norte-americana do diretor, ou seja, ele mexeu na obra) para nós. "Que merda, um filme de bicho que fala" - pensei, zoei, enfim. Odeio a adolescência, porque num geral as ações e reações são tudo meio merda (desculpem os adolescentes que me leem, espero que estejam vivenciando essa época melhor do que eu vivenciei). Provavelmente fui escrota enquanto o Major fazia seu importante discurso. Assisti ao filme e lembro de ter dado uma nota ruim no filmow.

Ao final da graduação, portanto pelo menos três anos depois, eu não fazia ideia do que fazer do meu tcc, que era um artigo de no máximo 20 páginas. Simples para quem faz monografias por aí, tanto é que desmereciam esse trabalho os próprios colegas de turma, dizendo "tô fazendo tcc... tcc não né, é só um artigo" (TCC - Trabalho de Conclusão de Curso. "Não é tcc" o caralho!). Para mim, ainda assim, uma e a maior realização até o momento nesta minha vida.

Pois bem. O professor era novo (para mim, ele era antigo na "casa" e havia voltado do exterior, se não me engano, todos falavam dele como se estivessem se referindo a um deus dos historiadores, e de fato era quase isso em não somente um sentido - não disse qual). Eu não tinha ideia do que queria, apenas que era algo com Pink Floyd. Passei os quatro semestres anteriores pensando em algo relacionado à psicodelia, Syd Barrett e ou A Saucerful of Secrets, ou The Piper at the Gates of Dawn.

Mal colocou a bolsa sobre a mesa e nos deu bom dia, professor Alberto já começou a aula querendo saber quem éramos e o que queríamos fazer da vida (e eu sei?). Graças ao bom Deus, começou pela fileira mais distante, enquanto meu cérebro latejava - e agora, Josefa? Reavaliei minha vida, não saíam esses dois discos e época de minha mente. Até que, faltando umas cinco pessoas para a minha vez, lembrei que estava lendo 1984. Liguei o nome à pessoa - 1984 > George Orwell > A Revolução dos Bichos > Pink Floyd > Animals >1977. Não tinha nada mais o que acrescentar. Arrisquei. E professor Alberto utilizou comigo a palavra mais bonita que já aprendi na minha vida: E X E Q U Í V E L. Ela é linda pela sonoridade, pelo significado, e por eu só ter visto ela poucas vezes, incluso recentemente em O Castelo, de Franz Kafka, outro amor meu.

Voltando à exequibilidade de meu projeto, professor Alberto disse que: se eu tinha o disco, sabia da banda, tinha o livro e um bom recorte (alguns anos nas décadas de 1940 e 1970), por que não? O importante era fazer algo de meu interesse, e que focasse em boas fontes. O importante é ter fontes primárias e saber pesquisar, o resto se tira de letra. Foram então seis meses de pouca escrita, muito sono, leitura, muito rock progressivo e, por fim, um bom parto. Pari este artigo com o maior amor, orgulho e desespero do mundo. Porque escrevi pelo menos 15 das 20 páginas (achei que não chegaria a 10, mas quase passei de 20) entre 00h e 09h, sendo que deveria entregar a partir das 08h do mesmo dia. Cheguei na universidade quase meio-dia, com o professor e uma colega saindo da sala vazia e eu meio que gritando "espera eu!", seguida de os dois "olha ela aí, estávamos falando de você!". Entreguei, tirei uma nota muito querida e carrego este filho até hoje, querendo já muitos outros mas sabendo que este é especial.

Especial porque, a partir disso, só se verá em layouts de meu blog porcos cães e/ou ovelhas. Assim como no disco do Pink Floyd, e assim como os personagens principais da fábula onde os bichos se rebelam contra os fazendeiros e passam a auto sustentar-se, sem, com isso, estarem livres do totalitarismo. Há roubo de discurso, sofismo, alienação, enfim. É uma sociedade como fábula. E é uma fábula distópica, coisa que eu amo profundamente. Fora que, para prejuízo e tristeza de meus adversários políticos, George Orwell e sua obra são antitotalitaristas e anti-imperialistas, o que NÃO SIGNIFICA anticomunistas, considerando que este fabuloso homem, digníssimo e honrado, era de algum ramo da esquerda, diz alguém relacionada a Trótsky, tanto que lutou na Guerra Civil Espanhola e levou um tiro no pescoço lutando pelo POUM (Partido Operário de Unificação Marxista), contra o fascismo. Assim como, também, a Bruxa do 71, mas esta é outra história.

Acho que está bom, né? Disse que seria breve (se não disse, pensei), mas olha o tamanho disso aqui. Não vejo a hora de criar vergonha na cara e organização na casa para começar a artigar outras obras de arte deste e de outros amores.

Um comentário :

  1. Quero fazer um comentário decente, mas não está sendo possível porque tenho de escrever uma pauta pra o jornal em meia hora. PORÉM: gente, esse livro, esse autor, que coisa mais maravilhosa! ♥ Quero muito ler teu artigo, por sinal!

    MAS Ó: tem tag pra tu responder lá no blog! \o/

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