5 de fev de 2016

Let me sing meu raulseixismo

Minha memória é um pouco avessa. O que as pessoas lembram da época x, eu não lembro. E vice-versa. Guardo melhor as coisas na memória quando estas têm a ver com coisas e pessoas pelas quais sinto carinho e apreço. Como a música sempre foi um fator importante em minha vida, minhas lembranças mais antigas remontam primeiros contatos e sensações.

Nasci no início da década de 1990, então vivi junto com a fita K7 - papai tinha várias compradas e gravadas das rádios com pot-pourri e playlists insanas - e vi o declínio do vinil. Tínhamos um Sony 3 em 1 (em breve o terei de volta, pois felizmente titia guardou), e sempre passeávamos pelo Brás para comprar fitas virgens da BASF e coisas do tipo.

Numa bela manhã de 1996, tio Russell, que sempre foi nômade por conta do trabalho, trouxe A novidade (ele adorava me trazer novidades): um Compact Disc, o famigerado CD. Tinha eu 4 anos e era ano das Olimpíadas em Atlanta. Nessa época existiam as lojas Arapuãligadona em você! (saudades), e o dito CD era um presente das lojas: O Som das Olimpíadas. No cd player portátil dele papai tentou inserir a novidade, sem sucesso: colocou a parte de cima pra baixo, e eu que já tinha aprendido o ensinei. Um breve momento que guardo com o maior carinho do mundo.

Após esse momento de aprendizagem tecnológica - hoje ensinamos nossos pais a mexer no WhatsApp -, voltamos ao Brás para comprar CDs. Papai trouxe Bezerra da Silva, algumas coleções Obras Primas, do Caetano, Agepê, e esse maravilhoso do Raul Seixas, onde praticamente todas as músicas são minhas favoritas. Por motivos pessoais me lembrei hoje de Sessão das 10, e o Spotify fez o favor de me jogar direto no disco, então fui lembrando da tenra infância.

Papai ouvia esse disco direto, e sempre comentava com os amigos como era engraçadinha a Meu Amigo Pedro, que é sua favorita. S.O.S. me lembra tio Russell pegando um pente e um papel e fingindo tocar gaita. Tu és o MDC da minha vida cita minha banda favorita, e talvez aí tenha sido meu efetivo primeiro contato com Pink Floyd. Eu sempre brinquei - na época sozinha, minha irmã não havia nascido - me divertindo e imaginando letras de música. Ainda hoje faço mais ou menos isso, fazem já 20 anos dessa coisa toda e me surpreendo com músicas ouvidas mais de duas mil vezes.

Vou ali ouvir Raul (agora percebi que estou com a camiseta do Metrô Linha 743 que já está desbotando), mas se todos gosta(ra)m eu vou voltar. E fim de papo.

1 comentários:

  1. Nossa, que nostalgia! Nasci no final dos anos 1980, então vivi tudo isso aí também! Ontem mesmo eu e meu irmão estávamos organizando o móvel da sala que é cheio de coisa antiga e desenterramos fitas K7, cds super antigos e vinis do meu pai. São basicamente relíquias, de Queen a Beatles. Bons tempos! <3

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