23 de ago de 2015

Destruidora mesmo

"Conte alguma história absurdinha da infância (...)" - #GSB

Tenho muitas histórias absurdinhas de infância que com certeza não vou lembrar. Na verdade nem ia escrever nada sobre o tema, mas depois que meu amigo postou o seguinte vídeo no twitter, não tem como, gente.

Esses tempos associei esse "inocente" causo com minhas convicções e gostos de hoje, então a coisa se tornou muito maior do que parecia ser uns anos atrás. 1999, eu tinha 7 anos e cursava meu segundo pré, porque não me aceitaram na primeira série por motivos de eu ser incompatível com a idade mínima para o ensino fundamental.

Me lembro de estar no parquinho da escola observando o prédio, e imaginando o quão seria bacana derrubar aquele lugar. Comentei com uma coleguinha meus planos subversivos: vamos trazer enxadas e machados para destruir essa escola? Mas não conta pra ninguém, tá?

Creio que o cosmos me fez floydiana de berço

Como toda criança para a qual peço segredo, é óbvio que a primeira coisa que ela fez foi contar para a professora na hora que escovávamos os dentes depois do lanche. Minhas lembranças são engraçadas: me imagino telespectadora de mim mesma, então vejo a seguinte cena: a professora, cara a cara comigo, nós duas de perfil para uma segunda eu (a eu atual?) que vê tudo como numa tela de cinema. Levei uma bronca que me fez detestar e temer a professora até o dia da formatura, onde chorei de saudade (e tem foto! sempre tem foto de eu chorando, uma tristeza).

Meus planos frustrados de destruição da ordem e do progresso escolar, fizeram de mim um historiadora leitora de Foucault e fã de Pink Floyd, além de tão crítica do ensino e algumas atitudes docentes que nem os próprios críticos de ensino concordam 100% comigo. Se é trauma, eu não sei, só sei que de alguma maneira nasci com uma veia revoltosa. E é por isso que escolhi essa historinha curta, porque aproveito e indico coisas para conhecimento e infelicidade geral do status quo e do sistema.

Hey! Teachers! Leave them kids alone!: como todo ser humano normal, conheci a banda por The Wall. E até para os fãs mais ferrenhos, que têm aquela música mais estranha como favorita, essa daqui é hino, daqueles de a gente fazer coro e botar a mão do peito, suando pelos olhos. Another Brick in The Wall part 2 critica o ensino de maneira geral, em especial a postura opressora da figura do professor. Curiosamente na faculdade, fiz um amigo utilizar trechos da música num trabalho de pedagogia, sendo que o nosso seminário foi bem depois de um cara aleatório da sala tocar Roberto Carlos no trabalho dele e depois ainda chorou e discursou em homenagem aos professores. Se estraguei a vibe do cara? Provavelmente.

(...)pelo funcionamento de um poder que se exerce sobre os que são punidos — de uma maneira mais geral sobre os que são vigiados, treinados e corrigidos, sobre os loucos, as crianças, os escolares, os colonizados, sobre os que são fixados a um aparelho de produção e controlados durante toda a existência.(...)[1]

Vigiar e Punir: menti quando disse ser leitora de Foucault. Ainda não li com profundidade. Mas manjo dos paranauês dele num geral, e pretendo lê-lo depois da minha maratona de Nietzsche. Quando tiver mais o que dizer, claro que terá textão aqui.

Careful with that axe, Eugene: essa música conheci por conta da cena final de Zabriskie Point, um filme de Michelangelo Antonioni, que pediu ao Pink Floyd algumas composições para o filme. Nele, o nome é outro. É de 1970 e tem diversas versões, no Live at Pompeii, Relics, Ummagumma. Está aqui porque também cita machados. A cena a seguir é a final - que é maravilhosa - portanto cuidado com o spoiler.

[1]: FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir.

3 comentários:

  1. Nossa, destruir a escola! Hahahaha acho que isso nunca passou pela minha cabeça... Eu adorava minha escola rs Concordo que algumas coisas no ensino não são muito legais e sou até contra, mas ainda assim eu gostava da minha escola rs
    Beijos! =**

    ResponderExcluir
  2. HAHAHA, criança tem cada ideia! Achei simplesmente incrível a mini Helen tramando destruir a escola, pena que sua comparsa te traiu antes de tudo entrar nos eixos (olha o tipo, HAHA). Lembro da minha escola do primário com carinho, eu realmente gostava daquela vibe toda e da minha professora, a Betty (tanto é que lembro dela até hoje). Considero importante ter tido uma professora tão legal no comecinho, acho que acabou me incentivando a gostar mesmo desse negócio de estudar e a levar a sério.

    Quanto ao Pink Floyd, gente, muito amor. Não posso me chamar de fã perto de você, mas gosto muito da banda e a considero muito. É a banda favorita do meu pai, então cresci ao som dos caras - e também acho que isso acabou se tornando peça chave da minha formação musical. É praticamente impossível ouvir esse trechinho (Hey! Teachers! Leave them kids alone!) e não gritar junto.

    Um beijo! =)

    ResponderExcluir
  3. Eu não teria contado! teria te ajudado a achar as ferramentas pra isso! talvez mais velha tivesse até conseguido estragar uma parede! hahahaha muito boa a história, eu tenho umas bem marcantes de quando era pequena.

    Meu gosto musical é um pouquinho diferente só ou podemos dizer q eu não tenho gosto musical, então prefiro nem comentar em relação a música pq não quero criar inimigos :)

    Obrigada pelo apoio no meu post! no fundo sei que quem está na pior são eles, então estou tranquila, é só chato por ter sido um tempo bem longo fazendo parte de algo, to meio perdida até hahahahaha mas já já me acho!

    ResponderExcluir

Olá! Obrigada por se dispôr a comentar. Caso queira saber de resposta, antes de me enviar o comentário clique em "notifique-me", recebendo um aviso por e-mail. Ainda assim, quando comentar em seu blog postarei um link encurtado da resposta. Obrigada!