14 de jul de 2015

13 discos de 13 bandas de rock - 1 a 7

Corri contra o tempo para pensar no que fazer aqui nesse dia do rock, e decidi postar 13 discos favoritos de artistas diferentes que muito me influenciam nessa vida, na historiografia e visão de mundo. Como falo pra caramba, dividi o post em dois, e provavelmente a segunda parte sai amanhã!
1. Pink Floyd - Live at Pompeii (1972)
Poderia colocar aqui qualquer disco dessa banda que é um pedaço de mim, mas para ser sincera não há animais nem prismas que me façam sentir coisas como o concerto em Pompéia. Primeiro, porque é um local histórico, patrimônio da humanidade. Depois, porque é década de 1970, a minha favorita. A ideia de tocar no meio do "nada" é incrível, e nunca vi tanta sintonia entre esses quatro homens, acho bem equilibrado o tempo de ênfase em cada um. As músicas são bem escolhidas, e só Mademoiselle Nobs é relativamente nova entre todas. São minhas versões favoritas das músicas com muitas versões (A Saucerful of Secrets está aí para provar isso). Preciso ler O Nascimento da Tragédia de Nietzsche para manjar dos paranauês de Apolo e Dionísio, mas arrisco dizer que é 123% dionisíaco: é instintivo e sinto que é um disco muito terreno, pulsante (prestem atenção na intro). Tenho textos e textos a escrever sobre ele, mas já digo que me é o mais sensorial e o que mais mexe comigo, de todos os discos.

Digo que é o melhor momento da banda com base na fonte "eu", porque bem poderia dizer que é o The Dark Side of the Moon (que é unânime pensando num âmbito mundial, o disco ficou quase 15 fucking anos no topo das paradas, e ainda é um dos mais vendidos da história). Mas é o mesmo momento de gravação, tanto que no dvd (Director's Cut) existem capítulos do vídeo que mostram Rick compondo Us and Them e Waters criando On the Run, além de Brain Damage e os solos do Gilmour. Como sou floydiana, os aspectos mais históricos ou técnicos serão mais evidentes com esse disco do que com qualquer outro nesse post (porém bem raso porque faço tudo de cabeça e preciso estudar uns livros e vídeos).
2. Genesis - Selling England By the Pound (1973)
Genesis aparentemente é minha segunda banda de rock progressivo favorita, ainda mais por motivos de: Peter Gabriel. Conhecia a era Phil Collins, mais comercial, novela dos anos 1980, e tal, então desdenhava um pouco. Daí inventei de assistir o documentário 7 ages of rock - que a TV Cultura adora passar todo 13 de julho, por sinal - e no episódio 2: Art Rock, tem a era Gabriel, além de outras bandas progressivas e psicodélicas. Por conta desse vídeo, essa atuação e esse figurino do Peter, eu me apaixonei imediatamente por I know what I like (In your wardrobe). Ouço outros discos do Genesis, e tenho o ...and then there were three... com sua Follow You Follow Me em vinil, mas nada se compara (nada, esse é meu disco favorito da banda da história) com Selling England by the Pound. Desde a capa, até Firth of Fifth, o comecinho de Cinema Show e: It's one o'clock and time for lunch...

O que mais me encanta na era Gabriel é o modo flautista mágico de ser, característica também de Ian Anderson do Jethro Tull. É imprevisível, criativo, me lembra também de outras épocas históricas, e consigo imaginá-lo no meio de uma floresta européia teatralizando suas músicas com esse sotaque maravilhoso, saboroso que só Peter Gabriel tem. E essa dancinha épica aos 11m40s, não posso esquecer de mencionar.
3. Emerson Lake and Palmer - Emerson Lake and Palmer (1970)
Não me lembro, e estou sendo sincera, de como conheci Emerson Lake and Palmer. Tive um momento ultra progressivo pelos idos de 2011-12, talvez seja por aí, e talvez seja por conta de Lucky Man. Mas o negócio é o seguinte: na minha infância eu tinha um propósito PPP (simples): queria ser Pianista, Professora e Pintora. Por que digo isso? Porque de alguma forma meu caminho seguiu para esse lado, com a diferença que: sou licenciada e não estou a fim de dar aulas, desenho porém não pratico, e não toco piano nem nada, mas tenho uma atração por pianos, órgãos, mellotrons, sintetizadores que só não ganham do contrabaixo. Então escolhi esse disco porque piro em The Barbarian e Take a Pebble. Adoro a voz e a leveza de Greg Lake, mas presto atenção mesmo é no Keith Emerson. O jeito que ele toca me permite lembrar de Snoopy e dos melhores anos de Tom and Jerry. Imagino que suas composições e adaptações de composições alheias calham direitinho em ser sonoplastia de desenho animado psicodélico do fim dos anos 1960, começo dos 1970.

Talvez muitos prefiram Tarkus ou outras obras, mas eu fico com essa mesmo, tenho uma tendência a gostar de começos. É um disco lindo e favorito, foi companheiro em muitas viagens à faculdade. Essas versões de The Barbarian e Take a Pebble também são demais. Esse jeito de tocar a segunda música me faz pirar, de verdade.
4. King Crimson - In the Court of the Crimson King (1969)
Conheci King Crimson por meio de Vincent Gallo e Christina Ricci no maravilhoso Buffalo '66. Colocam Moonchild (que é minha favorita, não interessando quem desgoste) numa cena do filme, e fica muito graciosa. Tem Greg Lake, e este é o único motivo para eu ouvir King Crimson com gosto. Os próximos discos são bacanas, mas nada que se assemelhe a esse querido de capa tão expressiva.
Epitaph e I talk to the wind são outras queridas desse disco da idade de papai. Vamos enfatizar Epitaph com esse baixo e esse começo aquecedor e assustador de corações.
5. Yes - Fragile (1971)
Colocaria aqui o Relayer numa boa, porque depois que conheci Soon, é o disco mais ouvido. Mas Fragile é onde conheci Yes, tem Roundabout e Heart of the sunrise. Esta última conheci também com o Vincent Gallo, homem de bom gosto. No mesmo filme, inclusive, no clímax da história. Chris Squire, sinto-me mal por sentir sua falta tão depois.
Como falei de Soon (que é um pedaço da Gates of Delirium e depois virou single[1]) acho bom que vejam o Steve Howe na guitarra havaiana que é um dos instrumentos mais lindos que já vi. Detalhe que Relayer é baseado em Guerra e Paz de Tolstói, e Paz é Soon. O Howe consegue direitinho transmitir a maior calma do universo, chega a entorpecer.
6. Black Sabbath - Master of Reality (1971)
Nem só de prog vivo eu, e sim, foi por acaso que Sabbath caiu no número seis. Comecei a ouvi-los com Iron Man e Paranoid (quem nunca?). N.I.B. tem a melhor introdução que um heavy metal poderia ter, é denso, é baixo, é G Z R (Geezer) Butler. A chuva de Black Sabbath é realmente amedrontadora, assim como a capa, portanto poderia aqui bem ser Black Sabbath de 1970. Mas como estou falando de Master of Reality, aquela Children of the Grave, e sobretudo Embryo, Orchid e Solitude me encantam, é um disco de fato sombrio[2], poderoso e bonito de se ouvir.

Pode ter banda bem mais "a solidão fez de mim gótica trevosa" com aquela coisa toda que a gente vê por aí, som alto, tiozão tr00 e voz super grave e gutural, mas nada tira Black Sabbath do posto de melhor banda de heavy metal que assustava a família tradicional conservadora, crente que eles eram satanistas, enquanto dormiam todos juntos num quarto morrendo de medo depois de ver O Exorcista (leiam a biografia do Ozzy Osbourne enquanto procuro a do Tony Iommi para ler também, recomendo).
7. Jethro Tull - Aqualung (1971)
Chegou a hora do verdadeiro flautista mágico, louco das dorgas, maravilhoso e queridíssimo Ian Anderson. Jethro Tull foi a coisa mais aleatória que achei porque Aqualung era um pedaço da vinheta da KissFM uns anos atrás, e eu ficava louca naqueles segundos progs que se misturavam com Led etc. e tal.
Um dia tive sorte de ouvir o Rodrigo Branco dizendo o nome da bendita banda e aí que ela virou uma banda que sempre me lembro nos meus aniversários, não por Aqualung, mas por Too old to rock and roll, too young to die, porque representa algo que tenho em mim, é um não perder a essência e que a música não deixe de fazer parte de minha vida. Quando tinha outros textos aqui, fiz dois com a temática, porque é muito a dizer (de uma música, agora veja o tamanho desse post com metade dos discos representados).
Continuo muito em breve com os outros seis discos, e me comprometo a pesquisar direito cada um e suas respectivas bandas, porque me parece que minha ênfase historiográfica será o rock progressivo mesmo. Como o dia do roque bebê já acabou, consideremos isso um projeto de semana do rock, que meu prazo se estende. E vamos deixar claro que é possível que eu edite esse texto com muito mais referências (ou não).
[1] "The closing section of "The Gates of Delirium", titled "Soon", was released as a single on 8 January 1975 with an edited version of "Sound Chaser" on the B-side."
[2] "On the tracks "Children of the Grave", "Lord of This World" and "Into the Void", guitarist Tony Iommi downtuned his guitar three semi-tones to produce what he referred to as a "bigger, heavier sound"."

3 comentários:

  1. "nada tira Black Sabbath do posto de melhor banda de heavy metal que assustava a família tradicional conservadora, crente que eles eram satanistas, enquanto dormiam todos juntos num quarto morrendo de medo depois de ver O Exorcista" HAHAHAHA AMEI ♥

    Na verdade, não tocava Black Sabbath na minha casa. Só fui começar a ouvi-los depois de grandinha - e apenas nos fones de ouvido - porque é bem isso que tu falou: família pensando que a pessoa é satanista e blablabla. Mas meu pai sempre foi um cara do rock, meus irmãos, antes de entrarem pra igreja, tinham banda e tal. Minhas primeiras recordações envolvem rock e capas de discos horrorosas do Iron Maiden (horrorosas porque, meldels, aquilo assusta criancinhas, gente!). E eu gostava muito de todas as bandas, basicamente. Quer dizer, rock é rock. É difícil eu não gostar. Mas um dia eu descobri a banda amor da minha vida musical: Queen. ♥ ~suspiros~

    Conheço alguns dos álbuns que você citou, mas vergonhosamente não todos. É bom isso, afinal, poderei deixar teu post nos favoritos pra ficar ouvindo os álbuns durante as tardes em que fico trabalhando sozinha no lab - adoro trabalhar com música, sou um ser que funciona melhor com música.

    E adorei a tua ideia de escrever sobre 13 discos! MARAVILHOSO isso! ♥

    Beijo! ;*

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  2. Pink Floyd é tão incrível que nem tenho palavras pra descrever! Veio até mim por meio do meu pai, que sempre foi fã da banda. De Pink Floyd, Erica Clapton e Queen. Boa parte do que ouço veio dele, minha base musical em casa foi boa, rs. E é a mesma coisa do que acontecia com a Mia: montes de vinis com capas assustadoras de bisonhas, mas que sempre me fascinavam. E é aí que mora a magia da música, ela rompe barreiras e não tem idade. ♥

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  3. In the Court of the Crimson King = orgasmos múltiplos!

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